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Bolsonaro critica acordo do WhatsApp e TSE contra desinformação

Presidente diz que o acerto firmado entre a rede social e o TSE para combater a desinformação "não será cumprido". Ele volta a criticar os ministros da Corte eleitoral e aponta censura nas medidas

Raphael Felice
postado em 16/04/2022 06:00 / atualizado em 16/04/2022 06:55
 (crédito: Filipe Araujo/ AFP)
(crédito: Filipe Araujo/ AFP)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou, na sexta-feira (15/4), aos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele criticou o fato de o WhatsApp ter lançado uma nova funcionalidade — que permite criar comunidades com grupos de até 2.560 pessoas —, mas só liberá-la no Brasil após as eleições. A postura da plataforma deve-se ao acordo que firmou com o TSE de combater a desinformação.

"Isso que o WhatsApp está fazendo para o mundo todo, sem problema. Agora, abrir uma excepcionalidade para o Brasil é inadmissível, inaceitável. E não vai ser cumprido esse acordo que, porventura, eles realmente tenham feito com o Brasil", esbravejou, durante um evento, em clima de comício, após uma motociata em São Paulo.

Na quinta-feira, o WhatsApp anunciou outra medida para combater fake news. A partir da próxima segunda-feira, o reencaminhamento de mensagens será limitado a um destinatário ou grupo por vez. A providência será implementada em todo o mundo.

A motociata de ontem partiu da capital paulista para a cidade de Americana, onde foi montado um palanque para o presidente discursar — o ato teve transmissão na conta dele no Facebook. O chefe do Executivo estava acompanhado do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas, que deixou a pasta para disputar o governo de São Paulo.

No discurso, Bolsonaro disse ser "obrigado" a jogar dentro das "quatro linhas da Constituição" e classificou o acordo firmado pelo TSE de censura. "Cerceamento, censura, discriminação... Isso não existe. Ninguém tira o direito de vocês", enfatizou.

Ele ressaltou que ocupa o cargo de presidente da República por "uma missão de Deus" e direcionou críticas ao PT e às ideologias de esquerda, classificadas por ele como "nefastas". Bolsonaro ainda atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na disputa pelo Planalto.

"Imaginem se, em meu lugar, só imaginem, se no meu lugar estivesse ocupando a minha cadeira um ladrão petista. Onde estaria este nosso Brasil?", criticou. Os participantes reagiram com gritos de "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão".

Transtornos

Em pleno feriado, a motociata — organizada por grupos evangélicos e batizada de Acelera para Cristo — fechou, por cinco horas, mais de 100km da Rodovia dos Bandeirantes, que liga a cidade de São Paulo ao município de Santa Bárbara d'Oeste. Os paulistas que resolveram pegar estrada para aproveitar a Páscoa, tiveram de desviar o trajeto pela Anhanguera, que registrou engarrafamentos e lentidão no trânsito.

O Palácio dos Bandeirantes não divulgou estimativa sobre a quantidade de motociclistas que seguiram o presidente no evento, mas havia milhares de pessoas no ato.

De acordo com o Portal da Transparência, até o fim do ano passado, ao menos R$ 5 milhões haviam sido gastos somente com as motociatas de Bolsonaro, incluindo gastos de governos estaduais com segurança e também do Executivo federal.

Pelo Twitter, Lula criticou o evento. "A gasolina cara leva a inflação nas alturas, mas a prioridade para alguns é fazer motociata sem destino usando combustível caro e comprado com dinheiro público enquanto o povo sofre", publicou.

Até o fechamento desta edição, o TSE e o WhatsApp não tinham se manifestado sobre as críticas de Bolsonaro.

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