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Doria "demite" Bruno Araújo da pré-campanha e amplia crise no PSDB

Araújo havia assumido a coordenação da pré-campanha no fim de 2021, mas, nos últimos dias, sua relação com Doria azedou

Vinicius Doria
postado em 16/04/2022 06:00
 (crédito:   Pablo Jacob / Divulgação)
(crédito: Pablo Jacob / Divulgação)

A crise no PSDB se aprofundou em pleno feriado da Sexta-feira da Paixão. Em nota, o staff do ex-governador de São Paulo João Doria anunciou a "demissão" do coordenador-geral da campanha para o Palácio do Planalto. O problema é que a função estava a cargo do presidente nacional da legenda, Bruno Araújo (SP), que reagiu com ironia em uma publicação no Twitter: "Ufa!", escreveu.

Araújo havia assumido a coordenação da pré-campanha no fim de 2021, mas, nos últimos dias, sua relação com Doria azedou. No início da semana, o presidente do PSDB participou de um jantar em São Paulo com empresários e defendeu a candidatura única dos partidos do autoproclamado centro democrático, em detrimento de um nome próprio, aprovado em eleição tucana. Na ocasião, Araújo disse que a decisão de formar um consórcio partidário "é maior do que as prévias do PSDB".

O desgaste, porém, estava em curso desde que Doria ameaçou abandonar a pré-candidatura, gesto que não foi bem-visto pela cúpula tucana. Anteontem, Araújo ainda se encontrou com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, derrotado nas prévias do partido, mas que tem apoio de uma ala da sigla para representar o PSDB na chapa única da terceira via, no lugar de Doria. As conversas com os presidentes do MDB, Baleia Rossi (SP); do União Brasil, Luciano Bivar (PE); e do Cidadania, Roberto Freire (SP), ampliaram o distanciamento entre o dirigente tucano e o pré-candidato.

O ex-governador paulista não gostou dos movimentos de Araújo. "Em recentes manifestações durante entrevistas e encontros empresariais, relativizou a candidatura de Doria — que venceu democraticamente as prévias do partido, em novembro. Essa postura, considerada pouco agregadora, motivou a decisão", informou a equipe do pré-candidato, por meio de nota.

Logo depois do anúncio da "dispensa", Bruno Araújo usou sua conta no Twitter para responder, em tom de ironia: "Ufa! Comando que nunca fiz questão de exercer. Aliás, ele sabe as circunstâncias em que e o porquê 'aceitei' à época. Aliás, objetivo cumprido!". Ele não explicou o motivo de ter "aceitado" nem em que circunstâncias.

A coordenação da pré-campanha ficará a cargo do presidente geral do partido em São Paulo, Marco Vinholi, que também usou as redes sociais para comentar a troca. "Eu, como milhões de brasileiros, ainda tenho esperança no nosso país. Minha esperança tem nome e sobrenome: João Doria. Com a total confiança que ele reúne as melhores condições para retomar o desenvolvimento do nosso país, vamos em frente até a vitória", postou. Vinholi foi descrito pela assessoria de Doria como "um hábil articulador político por sua ampla capacidade de diálogo".

Doria seguirá com a pré-campanha até 18 de maio, quando PSDB, União, MDB e Cidadania prometeram anunciar os nomes que vão compor a chapa unificada para a sucessão presidencial. Além do tucano, estão na disputa pela preferência das legendas Luciano Bivar (União) e a senadora Simone Tebet (MDB). O ex-governador gaúcho Eduardo Leite corre por fora.

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