Traições e boicotes são marcas da disputa na terceira via

Correio Braziliense
postado em 18/04/2022 00:01
 (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)
(crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Além do ex-governador paulista João Doria (PSDB), pelo menos outros dois presidenciáveis tentam se desvencilhar de traições e boicotes em série e deslanchar nas pesquisas de intenção de voto. A senadora Simone Tebet (MDB) e o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) sofrem o que parece ser uma antecipação da "cristianização", o abandono por parte de correligionários do candidato oficial de seu partido diante da estagnação. O processo começou a ocorrer no nascedouro dessas candidaturas alternativas, fomentado por grupos dissidentes ciosos da própria sobrevivência eleitoral, a quatro meses da campanha oficial.

Entre o fim de março e o início de abril, prazo final previsto em lei para filiação e desincompatibilização, Moro e Doria flertaram com a desistência de suas pré-candidaturas. O tucano voltou atrás, mas o ex-ministro da Justiça, que trocou o Podemos pelo União Brasil, perdeu o status de pré-candidato e não tem mais a garantia de legenda para disputar o cargo.

Ele era almejado por uma ala minoritária do União Brasil, egressa do PSL, e foi barrado por nomes influentes vindos do DEM. Agora, o deputado Luciano Bivar (PE), presidente do União, passou a ser apresentado como pré-candidato.

O ex-juiz insiste em dizer que "não desistiu de nada", mas reconhece em reservado que alas de seu atual partido e do anterior trabalham por uma aliança com o Planalto. Ele descartou ser postulante a deputado federal. A interlocutores, reclamou da falta de estrutura que recebeu enquanto pôde se apresentar como pré-candidato do Podemos e que tem a sensação de que "não interessa a ninguém uma terceira via para valer". Há mágoas dos dois lados, e ex-entusiastas do Podemos afirmam que Moro decidiu tudo sozinho.

Os partidos União Brasil, PSDB, MDB e Cidadania querem apresentar uma chapa conjunta até 18 de maio, mas sofrem com rachas internos que podem esfacelar o endosso e o apoio real a um candidato do centro.

A senadora Simone Tebet, por sua vez, sofre constrangimentos públicos de uma ala influente no MDB, que prefere apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em vez de lançar uma candidata própria. O grupo é liderado por cardeais da sigla no Senado, tendo ex-presidentes do Congresso na lista, como Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), José Sarney (MA) e Garibaldi Alves (RN). Todos se reuniram, na semana passada, com o pré-candidato petista, a maioria em um simbólico jantar oferecido a Lula.

O tom do discurso deles é o mesmo: questionam a competitividade da pré-candidata do MDB, que tem apoio do comando do partido, e ponderam que ela pode repetir o fracasso de Henrique Meirelles em 2018 — o ex-ministro da Fazenda amargou um sétimo lugar, o que, na análise dos senadores, teria colaborado para a redução das bancadas no Congresso.

Tebet reagiu dizendo que a divergência é normal e focou em divulgar uma série de apoios internos dos diretórios regionais do MDB e núcleos setoriais do partido.

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