Eleições

Ciro fala em conversas com "centro democrático" após queda de Moro

Pedetista menciona conversas com "centro democrático" após o descarte de Moro para a corrida ao Planalto. Mantém ataques a Lula, mas considera Bolsonaro "pior", em sinalização para o segundo turno

Vinicius Doria
ISABEL DOURADO*
postado em 21/04/2022 06:00 / atualizado em 21/04/2022 07:28
 (crédito: Antonio Molina/Estadão Conteúdo)
(crédito: Antonio Molina/Estadão Conteúdo)

Em busca de um lugar no segundo turno das eleições, o pré-candidato ao Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, ensaia uma aproximação com os partidos que articulam a candidatura única do "centro democrático". Ao mesmo tempo, mantém a artilharia contra os dois pré-candidatos mais bem colocados, mas dá sinais de que pode apoiar o petista Luiz Inácio Lula da Silva na rodada final.

Em sabatina na manhã de ontem, realizada pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo UoL, ele admitiu que as conversas em andamento com o União Brasil podem se expandir para o MDB e para o PSDB. Ciro baixou ainda o tom contra João Doria (PSDB).

Segundo o pré-candidato, a pretensão de Moro ao Planalto era o único impedimento à conversa com a terceira via, mas a questão está resolvida agora com a pré-candidatura de Luciano Bivar pelo União Brasil. Ciro considera o ex-juiz um "inimigo da República".

Em relação a João Doria, porém, o pedetista mudou o tom. Disse não julgar quem apoiou Bolsonaro, mas "rompeu com o passado de forma honesta, inclusive fazendo autocrítica". Para Ciro, 70% dos brasileiros votaram no atual presidente e se arrependeram. "Nosso povo é ex-bolsonarista, porque foi enganado", comentou.

Questionado se há possibilidade de retirar sua candidatura para concorrer como vice em uma chapa única, o pré-candidato não descartou a possibilidade. "O diálogo pressupõe uma página em aberto. Quem senta para dialogar senta para dialogar mesmo. Agora, nem eu exijo que ninguém retire a candidatura nem eu posso chegar dizendo que admito retirar a candidatura", afirmou.

Ao Correio, o atual coordenador da campanha de João Doria, Marco Vinholi, disse ver com desconfiança a aproximação de Ciro. "Nós temos um conceito programático, dentro desse campo democrático, e um conceito de valores para quem quer sentar-se nesta mesa (da terceira via). Quem quer apoio, tem que aceitar apoiar também."

Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, a reação de Vinholi é consequência do estilo combativo de Ciro Gomes. "Ele fica refém dos rompantes que faz e, lá na frente, na hora de fazer essa junção, isso fica mais difícil", observou.

Para Lula (PT) e Bolsonaro (PL), porém, Ciro mantém seus ataques. O pré-candidato disse não acreditar na inocência do petista nos casos de corrupção encaminhados à Justiça. Reiterou, porém, que houve erros nos processos que levaram à condenação de Lula.

Sobre o atual chefe do Planalto, Ciro foi ainda mais duro. "Pior é Bolsonaro, porque é grande corrupto, incompetente e é fascista. Lula é uma pessoa que não tem escrúpulos, é arquiconservador, está destruindo a política do campo progressista, mas é do campo da democracia. Isso faz uma diferença", disse.

Embora não mencione Lula, Ciro indicou que deve apoiá-lo no segundo turno. "No primeiro turno, a gente vota no melhor. O segundo turno é a hora de votar no menos ruim", disse.

*Estagiária sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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