Recado para o futuro

Correio Braziliense
postado em 25/04/2022 00:01

Carol Yoki Pataxó tem 18 anos e é nativa do povo Pataxó, localizado em Minas Gerais. Ela comentou que não pesquisa sobre temas políticos, também acha que são poucas as pessoas que explicam sobre o assunto. Mas, com a ascensão de Bolsonaro, a cada declaração do presidente dirigida aos povos indígenas, ela passou a entender a importância de estar inserida nesse ambiente. "Eu decidi (tirar o título) porque eu vejo que tem muita coisa acontecendo que eu não concordo. Acho que eu deveria participar desses governos, de quem está comandando o meu país, porque, como eu sou nativa, eu acho que tenho que ter alguma influência no que vão fazer no meu território, nas minhas florestas, em tudo", compartilhou.

"O meu papel é o de mudar o que está acontecendo para as próximas gerações, igual meus ancestrais fizeram. E eles tentaram o máximo possível resistir para existir. Tentaram mudar o que estava acontecendo, não deu muito certo. Ainda assim, eles tentaram e eu vou tentar fazer isso agora: mudar o nosso futuro para as próximas gerações. Eu acho que o voto vai mudar muita coisa, sim", definiu.

A socióloga Messenberg alerta, portanto, que apesar de os jovens terem uma posição política mais clara, eles ainda se interessam e se alinham a movimentos sociais mais específicos de seu interesse, por isso esse pode ser, no geral, um voto difuso. "Os jovens particularmente têm uma posição mais clara, pelo menos as pesquisas indicam um maior descrédito em consideração do governo Jair Bolsonaro como ruim e péssimo. E também é fácil entender essa rejeição frente à própria política do governo em relação ao Ministério da Educação e mesmo na condução da pandemia. Então, nesse sentido, eles são muito disputados pela oposição para que eles (jovens), antes de mais nada, se cadastrem e efetivamente se tornem uma massa de votos contra o governo", conjecturou.

No balanço do mês de março, o aumento de registros do TSE para faixa etária entre 16 a 18 anos foi 45% maior do que a quantidade de alistamentos de fevereiro: de 200 mil para 290 mil. Caso abril repita os números do mesmo mês de 2018, quando houve 290 mil novos registros, as próximas eleições poderão ter mais de 2 milhões de jovens aptos a votar. Um número que não vai ser ignorado por partidos e candidatos, mas ainda é distante dos 2,5 milhões de adolescentes inscritos na Justiça Eleitoral uma década atrás, em 2012. (TA, VD e ID)

Leia mais sobre a participação de jovens na política na página 13

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