Lula tenta reaproximação de Marina

Victor Correia
postado em 29/04/2022 00:01

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um aceno para a ex-ministra Marina Silva, ausente do ato em que o partido dela, a Rede Sustentabilidade, oficializou o apoio ao petista para a corrida eleitoral de outubro.

"Esperava que a Marina estivesse aqui", afirmou Lula em seu discurso. "Não sei por que, às vezes, ela demonstra um momento de raiva. Eu aprendi a gostar da Marina ainda com ela menina lá no estado do Acre."

Ex-filiada do PT, Marina foi ministra do Meio Ambiente no primeiro governo de Lula e em parte do segundo. "Eu perdi muitas amizades com muitos intelectuais que achavam que iam ser chamados para ser ministros do Meio Ambiente", relatou o petista.

Desde que deixou o PT, Marina não tem boas relações com a legenda — situação agravada com os ataques que sofreu da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014.

Em discurso inflamado, o senador Randolfe Rodrigues defendeu que o apoio a Lula é "incondicional". Ele ressaltou, ainda, que a legenda é a primeira fora da federação com o PT a declarar seu apoio. "Tem muitas coisas que nós podemos debater programaticamente", afirmou o parlamentar. "Porém, em tempos de fascismo (...), nós temos o direito de escolher o que fazer para mudar o tempo em que vivemos."

Vitória na ONU

O evento ocorreu no mesmo dia em que o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório no qual conclui que as ações contra Lula no âmbito da Lava-Jato foram parciais. O órgão deu prazo de 180 dias para que o governo brasileiro se manifeste.

"Essa decisão da ONU foi uma lavagem de alma extraordinária", comemorou Lula. "O ideal seria se (a ONU) pudesse tirar o Bolsonaro e me colocar no lugar."

Em nota, Moro afirmou que as conclusões do órgão internacional foram extraídas da decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou as condenações de Lula. "Considero a decisão do STF um grande erro judiciário e que, infelizmente, influenciou indevidamente o Comitê da ONU", diz um trecho da nota. "De todo modo, nem mesmo o Comitê nega a corrupção na Petrobras ou afirma a inocência de Lula", acrescentou.

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