Eleições

União Brasil escolhe Luciano Bivar como pré-candidato e anula Moro

Partido do ex-juiz formaliza a pré-candidatura de Bivar ao Planalto, mas intenção é torná-lo vice na chapa que a 3ª via anunciará em maio

A Executiva Nacional do União Brasil confirmou, por unanimidade, a indicação do nome do deputado Luciano Bivar (PE) como pré-candidato da legenda à Presidência da República. A decisão, já esperada, amplia o leque de opções do autoproclamado centro democrático — formado, também, por MDB, PSDB e Cidadania — para o pleito de outubro com uma chapa unificada. A decisão sobre os nomes que vão integrá-la só será conhecida em 18 de maio.

A reunião que confirmou o nome de Bivar foi virtual. No fim, o partido divulgou nota informando que "há alguns meses, o União Brasil tem trabalhado incansavelmente na tentativa de construir uma candidatura que ofereça esperança aos brasileiros". Disse, também, que vai manter reuniões com as demais legendas "em busca de um nome de consenso".

Para assumir a posição de pré-candidato, Bivar vai se afastar das negociações que estão sendo conduzidas pelas direções partidárias. Esse trabalho ficará com o vice-presidente do partido, Antônio Rueda, e os líderes da sigla na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e no Senado, Davi Alcolumbre (AP).

O consórcio partidário tinha dois nomes oficialmente postos e um extraoficial, que sonha voltar à disputa. O MDB lançou a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS), que não dá mostras de que possa desistir da indicação. Ao contrário, ela coleciona apoio de 14 diretórios estaduais. Ontem, foi a vez dos três deputados federais pelo Maranhão declararem adesão ao nome dela.

No PSDB, o pré-candidato oficial, o ex-governador de São Paulo João Doria, não tem respaldo de todo o partido. Uma ala ainda acredita que o ex-governador gaúcho Eduardo Leite possa compor chapa com Tebet até na condição de candidato a vice. "É lá que está o enrosco", disse o próprio Bivar, semana passada, na sede do União, ao anunciar a decisão dos quatro partidos do centro democrático de formar uma chapa única.

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"Desunião Brasil"

A decisão de ontem da Executiva do União não é boa notícia para o ex-juiz Sergio Moro, que se filiou na última hora ao partido de Bivar ainda com a pretensão de lançar-se à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, salvo algum evento extraordinário, o ex-ministro passa ser opção da legenda apenas para a eleição em São Paulo (seu novo domicílio eleitoral) como candidato a deputado federal — alternativa defendida por uma ala da sigla interessada no potencial de votos dele — ou a senador, na chapa do atual governador, Rodrigo Garcia, candidato à reeleição. Nesse cenário, e se o consórcio nacional da terceira via vingar, a vaga de vice de Garcia ficaria com o MDB.

Moro usou as redes sociais para comentar a escolha de Bivar. Ele disse esperar que os outros partidos definam "com clareza" os seus pré-candidatos e repetiu que seguirá "como um soldado da democracia, estimulando a composição para romper a polarização política".

"Enquanto não aparece um nome melhor", Bivar pode manter Moro e Doria a uma distância segura do protagonismo na terceira via. Essa é a análise do cientista político Paulo Kramer. Ele considera esse movimento "uma manobra para guardar o assento da frente do 'Desunião Brasil', mantendo os dois azarões a distância, enquanto não aparece algo melhor, uma candidatura presidencial viável, algo que a turma da terceira via tenta tirar da cartola há meses, até hoje sem sucesso". Para o especialista, a terceira via não decola justamente porque todos querem "sentar na janelinha ao mesmo tempo" e, aos olhos do grande público, essas articulações passam a imagem de "um convescote" da classe política.

O União Brasil também aumenta o cacife na provável disputa pelo papel de coadjuvante principal de Tebet no palanque presidencial. A senadora, mais cotada no meio político até agora para encabeçar a chapa da terceira via, não comentou a indicação, mas o presidente da legenda, deputado Baleia Rossi (SP), desejou pelo Twitter "sorte ao amigo Bivar", a quem considerou "um parlamentar experiente, com grande visão política, que teve a ousadia de fundar o União Brasil, partido que integra o centro democrático".

Bivar foi o artífice da fusão entre DEM e PSL, que originou o União Brasil, legenda já nascida com o maior dote do Fundo Eleitoral deste ano, cerca de R$ 800 milhões, e o mais generoso tempo de propaganda na teve entre todos os partidos.

No núcleo da pré-campanha de Doria, a notícia também era esperada e não muda a estratégia adotada pelo tucano, que manterá a agenda de viagens pelo Brasil, inaugurada no fim de semana passado, na Bahia. Estrategistas da equipe do ex-governador avaliam que, de acordo com as últimas pesquisas, o pré-candidato tem chances de se aproximar de Ciro Gomes (PDT) — atual terceiro colocado na preferência do eleitorado (sem Moro como opção).