eleições

Bolsonaro convoca para atos

Em crise com o Supremo, presidente afirma que manifestações de apoiadores neste 1º de Maio será em nome da liberdade

Raphael Felice
postado em 01/05/2022 00:01
 (crédito: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)
(crédito: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)

Em meio à tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (PL) mandou um recado a apoiadores que participarão de manifestações do 1º de Maio. "Quem, porventura, for às ruas amanhã (hoje), não para protestar, mas para dizer que o Brasil está no caminho certo, que o Brasil quer que todos joguem dentro das quatro linhas da Constituição. E dizer que não abrimos mão da nossa liberdade", afirmou, em discurso na ExpoZebu, em Uberaba (MG). "Não será dia de protestos. Será dia de união do nosso povo para um futuro melhor para todos nós."

Atos de bolsonaristas, hoje, terão como foco apoiar o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado à prisão pelo STF e perdoado por indulto concedido pelo chefe do Executivo. Auxiliares do presidente pedem para que ele não participe das manifestações, para evitar tensionar ainda mais as relações com o Judiciário. Também há um temor no Congresso de que ele reedite discursos antidemocráticos e de cunho golpista, como nas manifestações do 7 de Setembro. Até o fechamento desta edição, não havia confirmação da participação do presidente nos eventos.

Em aceno ao eleitorado mineiro, Bolsonaro disse que para ser eleito presidente "tem de ganhar em Minas Gerais" e relembrou do atentado que sofreu em Juiz de Fora durante a campanha de 2018. "Vocês sabem que sou nascido em São Paulo, criado no Rio de Janeiro, mas renascido em Minas Gerais, um estado que me arrepia, que me orgulha pelo seu povo, sua gente, seu futuro, sua pecuária, sua agricultura e suas Minas Gerais. Uma referência para todos nós. Tanto é verdade que, na política, para ser presidente, tem de ganhar em Minas", destacou.

Acompanhavam Bolsonaro ex-ministros que deixaram o governo para disputar as eleições de outubro, como Tarcísio Freitas, Walter Braga Netto e Tereza Cristina. Também estiveram presentes os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência), Anderson Torres (Justiça) e Marcos Montes (Agricultura). No palanque, havia outras autoridades, como o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) — vaiado por bolsonaristas quando teve seu nome anunciado.

Alimentos

No evento, Bolsonaro disse que, há poucas semanas, Ngozi Okonjo-Iweala, presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), procurou o Brasil pedindo mais alimentos. "Terão mais alimentos, com toda certeza. Ano após ano, aumenta nossa produtividade, quer seja na agricultura, quer seja na pecuária", enfatizou. Ele acrescentou que essa tarefa é do povo brasileiro, "que trabalha, que investe, que acredita, tem fé e quer o seu país cada vez melhor".

Ele destacou, também, que nenhum presidente brasileiro passou por crises "tão difíceis" quanto as que ele enfrentou. "Mas, juntos, atravessamos. Quer seja na pandemia, seca e, até mesmo, uma guerra, que tem reflexos para todos nós aqui no Brasil", acrescentou.

De acordo com Bolsonaro, o governo está resistindo e "vencendo" porque acredita no povo brasileiro. "Vocês são a locomotiva, força para vencermos esses obstáculos", afirmou. "Vencemos a pandemia e, se Deus quiser, no mês que vem, acaba aquela guerra (entre Rússia e Ucrânia) e voltaremos à nossa normalidade." (Com Agência Estado)

Leia mais sobre o 1º de Maio na página 7

Tags

CONTINUE LENDO SOBRE