Servidores do BC retomam greve

Fernanda Strickland
postado em 03/05/2022 00:01

Os servidores do Banco Central (BC) vão retomar, hoje, a greve geral por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada, na última sexta-feira, em assembleia por ampla maioria da categoria, segundo o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).

O presidente do Sinal, Fábio Faiad, explicou as razões principais da retomada do movimento. Segundo ele, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, não cumpriu o compromisso de conseguir, ainda em abril, uma reunião entre o sindicato e o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. Além disso, não foi apresentada "proposta alternativa aos 5% — reajuste sugerido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e apoiado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Por fim, disse Faiad, não foi dada uma resposta "sobre a parte não-salarial de nossas demandas".

Desta vez, de acordo com o presidente do Sinal, a expectativa é retomar a greve com mais força. "Vamos fazer um ato presencial amanhã, às 10 horas, em frente ao Banco Central, em Brasília, para continuar na luta", afirmou Faiad. Segundo o dirigente, com a volta da paralisação, várias atividades do BC ficarão comprometidas. "Queremos intensificar as atividades, e a nossa ideia é que a reunião o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), por exemplo, não aconteça no final de maio, como estava previsto", disse Faiad.

Os servidores do BC iniciaram o movimento grevista no início de abril, mas haviam interrompido a paralisação no último dia 19. Na ocasião, o sindicato afirmou que estava dando um voto de confiança a Campos Neto e estabeleceu prazo até 2 de maio para que o governo fizesse uma contraproposta formal à categoria, que reivindica reposição salarial de 27% a partir de 1º de julho. De acordo com o Sinal, a proposta do governo de conceder reajuste de 5% — para todos os funcionários federais — é insuficiente.

A greve dos servidores adiou uma série de divulgações de documentos e estatísticas do BC, que voltaram a ser publicadas após a suspensão da mobilização. Muitos dados, porém, ainda estão atrasados. Procurado, o BC afirmou, por meio da assessoria, que não faria comentários.

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