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Em pré-campanha, Lula e Alckmin pedem união pela democracia no Brasil

No lançamento da pré-campanha, ex-presidente se compromete com recuperação da soberania e pilares do estado de direito

Victor Correia
postado em 08/05/2022 06:00
Petista lembrou que, com Bolsonaro, o Brasil voltou ao mapa da fome e convive com a inflação em disparada -  (crédito: Fotos: Nelson Almeida/AFP)
Petista lembrou que, com Bolsonaro, o Brasil voltou ao mapa da fome e convive com a inflação em disparada - (crédito: Fotos: Nelson Almeida/AFP)

No evento que marcou oficialmente a entrada do PT na corrida ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro aqueles que serão os motes da sua campanha, ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin: a recuperação da soberania nacional, a restauração dos pilares democráticos e a retomada econômica. O petista também reforçou a polarização política e fez um aceno aos jovens.

Lula deixou de lado o improviso com que costuma eletrizar plateias e leu, por 47 minutos, um discurso meticulosamente elaborado. Mas não foi por acaso que o termo "soberania nacional" apareceu 26 vezes no texto. "O artigo 1º da nossa Constituição enumera os fundamentos do Estado Democrático de Direito. E o primeiro fundamento é justamente a soberania. No entanto, a nossa soberania e a nossa democracia vêm sendo constantemente atacadas pela política irresponsável e criminosa do atual governo", afirmou.

Para o petista, será preciso promover uma grande concertação na sociedade "para que ninguém nunca mais ouse desafiar a democracia, e para que o fascismo seja devolvido ao esgoto da história".

No ataque, e sem citar o presidente Jair Bolsonaro (PL), classificou-o como alguém "que tenta mascarar a sua incompetência brigando o tempo todo com todo mundo, e mentindo sete vezes por dia". Lula salientou, ainda, que é visceralmente contrário ao estímulo dado pelo presidente para que a população ande armada e se insurja contra a Constituição.

"Não somos a terra do faroeste, onde cada um impõe a sua própria lei. Não! Temos a lei maior que rege a nossa existência coletiva", destacou, reforçando não ter rancor por ter sido alijado do processo político em 2018, quando foi preso.

Porém, esses não foram as únicas críticas feitas a Bolsonaro. O ex-presidente enfatizou a crise econômica, a disparada da inflação e o retorno do Brasil ao mapa da fome. A gestão da pandemia de covid-19 também foi apontada como mais um exemplo da inépcia do atual governo.

"Não é digno desse título o governante incapaz de verter uma única lágrima diante de seres humanos revirando lixo em busca de comida, ou dos mais de 660 mil mortos pela covid", disse.

Como era de se esperar, Lula comparou números obtidos nos seus mandatos e nos da ex-presidente Dilma Rousseff para mostrar que, com Bolsonaro, houve uma série de retrocessos. "Triplicamos os investimentos em educação, que saltaram de R$ 49 bilhões, em 2002, para R$ 151 bilhões, em 2015. Mas o atual vem reduzindo os investimentos a cada ano", destacou.

Plano externo

A relevância do Brasil no plano internacional é mais um tema que Lula pretende inserir na campanha para criar um termo de comparação Bolsonaro na área externa. Por isso, ressaltou a desconfiança com que o país é visto atualmente e que, se eleito, retomará o fortalecimento de instituições multilaterais das quais o Brasil faz parte.

O pré-candidato do PT também deixou evidente que pretende demarcar uma linha em relação ao atual governo quando defendeu as estatais — que a atual equipe econômica se empenha para que sejam privatizadas, como é o caso da Eletrobras. Para Lula, a venda da distribuidora e geradora de energia é "um crime" e significaria, também, a perda de outras empresas como Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul, além da autonomia brasileira no setor energético, segundo ele. Para o ex-presidente, pelas estatais passa a soberania nacional.

"Defender nossa soberania é defender a Petrobras, que vem sendo desmantelada dia após dia. O resultado desse desmonte é que somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo, cotada em dólar", afirmou.

Desagravo

Cercado não apenas por petistas, mas por representantes de outras legendas — além de PSB, PV, PCdoB, PSol, Rede e Solidariedade, marcaram presença emissários também de MDB, o PSD e Avante —, Lula aproveitou para fazer um desagravo a Dilma, mas, elegantemente, comunicou que ela não estará em um eventual futuro governo — "não caberia em um ministério por sua grandeza".

Lula foi homenageado com um vídeo, apresentado pela futura mulher, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, em que artistas cantam uma nova versão da música Sem Medo de Ser Feliz, lançada no segundo turno da campanha de 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência.

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