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Pesquisa eleitoral pirata: nova ameaça

Isabel Dourado*
postado em 11/05/2022 00:01
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)

Com a aproximação das eleições, começam a circular nas principais redes sociais supostas pesquisas de intenção de voto não registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cujo único objetivo é o de confundir e induzir as pessoas. O alerta é da presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Mara Telles, entrevistada de ontem do CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Esse é mais um episódio de fake news, para o qual o eleitor deve ficar atento e que cabe ao TSE coibir com a ajuda desses canais — que fecharam com a Corte um acordo para evitar a disseminação de mentiras e desinformações.

"A gente tem visto institutos desconhecidos e sem legitimidade fazer pesquisas sem mostrar ao público a metodologia usada ou qual foi o questionário. São divulgadas intencionalmente para desinformar sobre o processo eleitoral. Isso tem ocorrido muito no sentido de desacreditar as pesquisas eleitorais", adverte.

Mara admite que os mecanismos de controle nas redes sociais para esse tipo de mentira são falhos. "Não tem um controle sobre o IP ou a identidade de quem as estão disseminando. As pesquisas conseguem influenciar o comportamento do eleitor em duas dimensões, são uma fonte preciosa para que se possa fazer um cálculo racional sobre as ofertas partidárias", salienta.

Segundo a presidente da Abrapel, esses levantamentos "piratas" circulam, sobretudo, no Telegram. Mara reconhece que o controle do que transita nessas duas redes é complexo, pois muitos usuários participam, geralmente, de vários grupos.

Mara lembra, porém, que o processo de desinformação não é um fenômeno que ocorre apenas no Brasil. E menciona os Estados Unidos, onde o ex-presidente Donald Trump sugeriu a injeção de desinfetante para o tratamento de pacientes com covid-19.

A Abrapel, segundo Mara, identificou que os principais disseminadores de desinformação e mentiras são grupos ou sites de direita — que habitualmente colocam em dúvida os resultados das pesquisas eleitorais.

"A ideologia faz com que as pessoas confiem tanto nos políticos que isso passa a se sobrepor em relação a elementos científicos. É aí que entra a ignorância deliberada das pessoas que questionam os resultados das pesquisas. E não só as de intenção de voto, mas a ciência em geral", observa.

* Estagiária sob a supervisão
de Fabio Grecchi

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