Eleições

Cunha: terceira via não existe

Ao CB.Poder, ex-deputado diz que pretende voltar à Câmara como candidato por São Paulo. "Minha luta será contra o PT"

Isabel Dourado*
postado em 12/05/2022 00:01

O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha pretende retornar aos holofotes em Brasília, após ter a prisão revogada pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira (11/5) ele deu entrevista à jornalista Denise Rothenburg no programa CB. Poder — uma parceria do Correio com a TV Brasília.

Personagem central no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff — Cunha autorizou a abertura do processo no Congresso Nacional — o deputado caiu em desgraça em 2016, com a Operação Lava-Jato. Foi preso preventivamente em 2016 e condenado, no ano seguinte, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2018, a condenação foi confirmada em segunda instância pelo TRF-4. Cunha recebeu a pena de mais de 14 anos de prisão.

Cunha repudiou com veemência as condenações expedidas pelo então juiz Sergio Moro. "Fiquei 4 anos e meio preso em uma prisão preventiva, arbitrária, ilegal, declarada por esse juiz considerado parcial. Fiquei preso por nada. Essa condenação que ele me impôs foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal no dia 14 de setembro do ano passado", afirmou Cunha.

Cunha critica a conduta do ex-magistrado, que pode concorrer a um cargo eletivo este ano. "Hoje a gente sabe que o Moro era o chefe de uma organização política que pode ser considerada criminosa. Ele está começando a pagar por aquilo que ele praticou e eu espero que ele pague por tudo", afirmou.

Embora tenha feito carreira política no Rio de Janeiro, Eduardo Cunha pretende retornar à cena como deputado federal por São Paulo. "Vou concorrer. São Paulo é o berço do Brasil, tudo que acontece lá impacta no país. São Paulo também é o berço do petismo, então a minha luta e a disputa será contra o PT", avisou o ex-deputado, filiado ao PTB.

Cunha afirmou que vai trabalhar para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. "Vou votar no Bolsonaro e já estou decidido". E afirma que a polarização é irreversível. "A polarização existia, vai continuar existindo e não será quebrada. Há mais de um ano eu escrevo artigos falando que não há possibilidade de ter uma terceira via", comentou.

"Não vai existir 3ª via porque efetivamente se vem observando o histórico das eleições desde a primeira eleição depois do período militar", acrescentou.

Sobre o clima de instabilidade política, Cunha considera não haver risco de ruptura democrática. "Vejo espuma demais e pouco conteúdo. Não vejo risco à democracia, nunca vi qualquer tipo de risco ou golpe", observou.

*Estagiária sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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