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Bolsonaro: "PPI, só no Brasil"

Presidente afirma que Política de Paridade Internacional, critério alegado pela empresa para aplicar reajustes aos combustíveis, não está amparada por lei. E defende que a empresa exerça um papel social em tempos de carestia alta

Fernanda Strickland
postado em 16/05/2022 00:01
 (crédito:  EVARISTO SA / AFP)
(crédito: EVARISTO SA / AFP)

Em um domingo movimentado por Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou as mudanças recentes em seu ministério e renovou as críticas à política de preços da Petrobras para os combustíveis. Além de participar de atos organizados por apoiadores, o chefe do Executivo visitou pontos populares da capital federal e respondeu a perguntas de jornalistas na Praça dos Três Poderes.

A respeito de uma possível troca na presidência da Petrobras, Bolsonaro mandou perguntar para o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida. "A Petrobras está ligada diretamente a ele e não comigo", ressaltou o presidente. José Mauro Coelho assumiu o comando da estatal em 14 de abril.

Bolsonaro acrescentou que a política de preços adotada pela Petrobras pode ser alterada. "A Política de Paridade Internacional (PPI) não é uma lei, é uma resolução do conselho. Se o conselho achar que deve mudar, muda", contou. "Mas não pode a população como um todo sofrer essa barbaridade, porque atrelado ao preço dos combustíveis está a inflação, e o poder aquisitivo da população está lá embaixo", completou o presidente.

Segundo o chefe do Executivo, o governo não tem intenção de tabelar o preço do combustível nem de intervir na Petrobras. "O que eu acho que a Petrobras poderia fazer, tem um artigo constitucional que fala da finalidade social da Petrobras. Não está sendo levado em conta. A paridade internacional só existe no Brasil", disse.

Bolsonaro voltou a criticar o lucro de R$ 44,5 bilhões registrado no primeiro trimestre deste ano pela estatal. "As petrolíferas do mundo todo diminuíram a margem de lucro, já a Petrobras aumentou. O que eu apelei há duas quintas-feiras? Por favor, Petrobras, não quebre o Brasil. A margem de lucro deles é um estupro", comentou.

Durante live realizada na última semana, Bolsonaro sinalizou que poderia fazer novas "mudanças de pessoas", ao mencionar a companhia. Ontem, porém, o presidente afirmou que a estatal está nas mãos de Sachsida, pois o ministro tem autonomia para fazer qualquer alteração na Petrobras. "E eu deixo bem claro que todos os meus ministros, sem exceção, têm carta branca para fazer valer aquilo que achar melhor para o seu ministério", disse.

"O Sachsida e todos os ministros, desde o início, tem carta branca sem exceção. Obviamente, qualquer mexida vai conversar comigo. Mas confio 100% no Sachsida e tenho certeza de que ele será um bom ministro. Assim como o Bento (Albuquerque) foi. Mas, por uma questão pessoal, pediu para sair", ressaltou Bolsonaro.

Em sua primeira coletiva de imprensa como ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida afirmou que pediria estudos para a privatização da Petrobras e do pré-sal. Um dia após a declaração, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que daria andamento ao projeto. Em coletiva em frente ao Ministério da Economia, na quinta-feira, Sachsida disse que a primeira ação à frente da pasta seria a solicitação do estudo que visa o processo de desestatização da PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) e da Petrobras.

"Espero levar, no período de tempo mais rápido possível, ao presidente da República, Jair Bolsonaro, para ele assinar esse decreto e libertar o povo brasileiro", comentou Sachsida.

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