TSE recebe apoio de entidades contra ataques

Luana Patriolino
postado em 17/05/2022 00:01
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Incomodado com as investidas do presidente Jair Bolsonaro (PL), que insiste em colocar em dúvida a lisura das eleições, o grupo Coalização para a Defesa do Sistema Eleitoral — formado por mais de 200 entidades e organizações da sociedade civil — entregou, ontem, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, uma carta em protesto às críticas do chefe do Executivo.

O grupo classificou o comportamento de Bolsonaro de "agressão". "Tais agressões, bravatas e afirmações desprovidas de respaldo técnico, científico e moral, servem a um único propósito: o de gerar instabilidade institucional, disseminando a desconfiança da população brasileira e do mundo acerca da correção e regularidade das eleições brasileiras", destacou, no manifesto. "Por consequência, desacreditar o próprio país, como nação democrática, colocando em xeque a segurança jurídica, em momento especialmente delicado, em que se faz essencial a tranquilidade e a isenção de ânimos, para que o processo eleitoral transcorra sem sobressaltos ou mesmo atos de violência."

Em um recado direto a Bolsonaro, as entidades afirmaram que não vão aceitar chantagens e ameaças de ruptura institucional "após pouco mais de três décadas em que a normalidade democrática foi restabelecida em nosso país, com o custo de muitas vidas, sofrimentos, privações e lutas".

O grupo relembrou, ainda, que o sistema eletrônico de votos tem evoluído com o passar dos anos e que "entregou seus resultados dentro da mais ampla transparência e lisura".

Desde que foi eleito, Bolsonaro e apoiadores afirmam que as eleições de 2018 foram fraudadas e que a chapa teria ganhado no primeiro turno contra Fernando Haddad (PT). O presidente chegou a sugerir que as Forças Armadas fizessem uma apuração paralela no pleito deste ano.

Na semana passada, Fachin subiu o tom e afirmou que nada nem ninguém vai interferir na integridade do pleito. O magistrado enfatizou ser atribuição do TSE garantir eleições limpas e confiáveis e chamou o trabalho de "forças desarmadas".

Na semana passada, ocorreu no TSE o chamado Teste Público de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação (TPS). Nele, especialistas avaliam se há vulnerabilidades nas urnas eletrônicas. O trabalho reuniu investigadores, hackers, programadores, representantes de universidades e peritos da Polícia Federal.

Na sexta-feira, o TSE anunciou a conclusão do trabalho. Segundo a Corte, os investigadores não conseguiram alterar votos, afetar a apuração ou fraudar qualquer tipo de contagem.

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