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Ameaça de pleito "conturbado"

Aos gritos e com palavrões, Bolsonaro volta a levantar suspeita sobre o processo eleitoral e ataca, mais uma vez, o Supremo

Ingrid Soares
postado em 17/05/2022 00:01
 (crédito: Isac Nóbrega/RP)
(crédito: Isac Nóbrega/RP)

Aos gritos e usando palavrões, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil pode ter eleições "conturbadas" em outubro. A declaração ocorreu durante discurso a empresários no Apas Show, um evento de supermercados em São Paulo.

"Vocês foram excepcionais nesta pandemia, mas tudo pode acontecer. Podemos ter uma outra crise, podemos ter eleições conturbadas", frisou. "Imagine acabarmos as eleições e pairar para um lado ou para o outro a suspeição de que elas não foram limpas. Não queremos isso. Vocês sabem o que o Brasil precisa."

Bolsonaro voltou a disparar contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao dizer que o senador Jaques Wagner (PT-BA) — integrante da pré-campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — tem conversado com embaixadores para falar sobre a posse do petista. "Vejo hoje na mídia que o nosso querido Jaques Wagner já está entrando em contato com embaixadores sobre a posse do Lula. Quem está dando essa certeza para ele? Eu acho que não é o nosso inexpugnável TSE. Quem está dando essa certeza para ele? A quem eles querem enganar?", acrescentou.

O presidente também criticou o TSE por não ter acatado as sugestões apresentadas pelas Forças Armadas para as eleições de outubro. Nenhuma foi acolhida, mas a Corte fez a ressalva de que algumas poderão ser incorporadas futuramente.

"A alma da democracia é o voto. O TSE convida as Forças Armadas. Elas levantam mais de 600 vulnerabilidades. Dá para você entender? Se pegar uma peneira de um metro de diâmetro, tem mais vulnerabilidade que essa peneira. (As FAs) Fazem seu trabalho, apresentam as sugestões, não valem as sugestões", protestou.

Aos empresários, Bolsonaro ressaltou que "não podemos esperar chegar 2024, 2025, olhar para trás e pensar: 'O que nós não fizemos em 2022 para o Brasil estar essa merda que está hoje?'". "O linguajar é esse. Tem de chocar", acrescentou.

Lula também foi alvo do chefe do Executivo, que apelidou o ex-presidente de "nine" (nove, em inglês). "Vi o 'nine' falando que eu vou perder a eleição e vou perder a minha família toda. Está achando que vai me intimidar? Dando recado? Ou nós decidimos no voto para valer, contabilizado, auditado, ou a gente se entrega. E se se entregar, vão levar 50 anos ou mais para voltar à situação que está hoje em dia", destacou.

Ele enfatizou que nunca irá para a cadeia. "Mais da metade do meu tempo eu me viro contra processos. E até já falam que eu vou ser preso. Por Deus que está no céu, eu nunca serei preso", disse, sob aplausos.

Bolsonaro criticou a revisão do marco temporal das terras indígenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçou não cumprir a decisão, caso seja favorável a novas demarcações. "Caso seja aprovado, nós teremos, além da Região Sudeste, uma área equivalente à Região Sul demarcada como terra indígena e, pela localização geográfica, teremos mais uma área do tamanho do estado de São Paulo inviabilizada para o agronegócio. Acabou. Acabou, p*", gritou.

E acrescentou: "Não devemos medir palavras para defender o nosso Brasil. Ficam alguns de frescura: 'Ele fala palavrão'. Então, vote naquele do passado que falava bonito e ferrava vocês. A minha passagem de vida militar me fez usar alguns palavrões de vez em quando. Peço desculpa aos senhores, mas é uma realidade. O que sobra para mim se o Supremo aprovar isso daí? Tenho de pegar a chave da Presidência, entregar lá no Supremo e falar: 'Toma, é de vocês'. Ou falar: 'Não vou cumprir'. O que eu faço?".

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