Entrevista | Guilherme Boulos | pré-candidato a deputado federal

"Eleição será uma encruzilhada"

Isabel Dourado*
postado em 18/05/2022 00:01
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Pré-candidato a deputado federal, Guilherme Boulos (PSol-SP) afirmou que o Brasil vive um momento muito grave, que exige uma forte mobilização em favor da democracia. Boulos desfere duras críticas a Bolsonaro, mas também critica Lula, apesar de votar nele em outubro. Boulos afirma que, se dependesse do PSol, Geraldo Alckmin não seria vice do petista, por causa da gestão do ex-tucano no Palácio dos Bandeirantes. Confira os principais trechos da entrevista à jornalista Ana Maria Campos, no programa CB.Poder, parceria entre o Correio e a TV Brasília.

O seu livro Sem medo do futuro fala de questões do país. Traz mais soluções ou problemas?

Foca mais em soluções do que em problemas. O objetivo é refletir um pouco sobre como chegamos aqui. O Brasil está em um atoleiro. Tem um presidente da República que praticou um morticínio na pandemia, que fez com que o terceiro produtor de alimentos do mundo voltasse ao mapa da fome. É um presidente que fez a inflação, depois de 30 anos, assombrar o povo. E a reflexão é um pouco de como chegamos, que Brasil é este que colocou Bolsonaro no poder. E, sobretudo, a parte de como nós podemos pensar uma saída, um Brasil pós-Bolsonaro.

Por que não concorrer novamente ao Planalto ou não disputar o governo paulista?

Eu poderia ser candidato novamente à Presidência, mas não estamos vivendo um ano qualquer. A eleição de 2022 não é entre dois candidatos, entre dois projetos políticos no campo democrático, é uma encruzilhada entre a democracia e a barbárie. Há momentos em que precisamos colocar as diferenças e em segundo plano. Por isso, decidi não ser candidato a presidente nem a governador. Defendo que se construa uma unidade em torno de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. O pessoal fala que é o estado mais avançado, mas é, também, uma capitania hereditária, com o mesmo grupo político há 28 anos, o PSDB. Precisamos estar unidos para tirá-los de lá.

Em muitos desses anos, o governador de São Paulo era Geraldo Alckmin, que agora está com Lula.

Se a escolha fosse do PSol, não seria Alckmin. E digo não só como militante do PSol, mas como alguém que foi professor em escola pública no governo dele. Sou militante por luta, por moradia, há mais de 20 anos, e o governo dele foi marcado por despejos. Agora, repito aqui: estamos vivendo um momento grave na história do país. O fato de ter diferenças públicas e notórias com Alckmin não vai me impedir de fazer campanha para Lula.

Existe clima para golpe no país? As Forças Armadas aceitariam?

Acho que é esse o ponto. Bolsonaro gostaria de dar um golpe. Agora, 2022 não é 1964. Até as condições internacionais não são mais as mesmas. Qual é a preocupação? É de Bolsonaro mobilizar a sua milícia privada. Aumentou o número de concessões de licença de arma de 200 mil para 650 mil. Bolsonaro mobiliza parte desses grupos do clube de tiro para atuar em sua defesa. Esse público, ele pode querer mobilizar para criar um estado e uma situação de caos. E qual é o antídoto? É fazer uma grande mobilização democrática e não permitir que esse discurso autoritário permaneça.

O senhor vai defender Lula quando as acusações de corrupção surgirem na campanha?

Sem dúvida. Existe um princípio no Estado de direito: qualquer cidadão é inocente até que se prove o contrário. Lula sofreu um linchamento jurídico. Uma politização do Judiciário escandalosa, conduzida por Sergio Moro, que está indo para a lata do lixo e não conseguiu nem colocar de pé a sua campanha.

*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa

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