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O triunfo de Tebet na terceira via

Cúpulas de PSDB, MDB e Cidadania decidem que a senadora é o nome mais viável para a chapa. Falta o aval das executivas nacionais

Vinicius Doria
postado em 19/05/2022 00:01
 (crédito: Roque de Sá/Agência Senado)
(crédito: Roque de Sá/Agência Senado)

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi considerada o nome mais viável para liderar a chapa do autodenominado centro democrático — agora já tratado como terceira via —, de acordo com uma pesquisa encomendada pelos partidos que compõem a aliança: MDB, PSDB e Cidadania.

Representantes das três legendas passaram a tarde de ontem reunidos na sede do Diretório Nacional do Cidadania, em Brasília, para discutir o futuro da aliança, com base na apresentação feita pelo professor Paulo Guimarães, do Instituto Guimarães Pesquisa e Planejamento. Ao fim do encontro, os presidentes das siglas deram declarações protocolares sobre a necessidade de união, mas não divulgaram os dados do levantamento. Também evitaram cravar, para a imprensa, que Tebet é a escolhida.

Roberto Freire, presidente do Cidadania e anfitrião do encontro, declarou apenas que, na reunião, "saiu o indicativo de um candidato" e que cabe "a cada partido aprovar efetivamente esse nome ou não". "O que eu posso dizer é que nós vamos ter uma candidatura única da chamada terceira via", limitou-se a comentar.

Segundo apuração do Correio, a pesquisa qualitativa apontou que o pré-candidato do PSDB, João Doria, tem baixo potencial de crescimento de intenção de votos porque esbarra na elevada taxa de rejeição. Tebet, ao contrário, teria mais possibilidade de escalar nas pesquisas por incorporar o perfil buscado pelo chamado eleitor nem-nem, que não é simpático ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, nem ao presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição.

A preocupação em não vazar números ou conclusões da pesquisa motivou um curioso pedido dos presidentes das legendas, no início do encontro. Todos os presentes foram orientados a não fazer anotações.

O consenso em torno do nome de Tebet já estava consolidado antes mesmo da apresentação da pesquisa, mas outro dado do levantamento deu aos dirigentes a dimensão do problema. De acordo com uma fonte, a principal conclusão do documento foi de que, separados, PSDB e MDB não teriam "nenhuma chance nesta eleição". "Ou vamos unidos, ou não haverá futuro (para uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro)." O que animou as cúpulas das siglas foi a projeção de que uma chapa unificada de centro, capitaneada por uma candidata com o perfil de Tebet, tem potencial para chegar ao terceiro lugar nas pesquisas com relativa rapidez.

Outro dado considerado relevante foi a indicação de que, nesta eleição, a margem de queda das taxas de rejeição é muito limitada e vale para todos os pré-candidatos. Como Doria e Tebet têm números de intenção de votos semelhantes (entre 1% e 3% na média das últimas pesquisas), o cenário de dificuldade para reverter reprovações foi encarado como um ponto decisivo para a opção por Tebet, aliado ao fato de ela ser desconhecida de mais de 60% do eleitorado. "Há muito espaço de crescimento", comentou outra fonte ouvida pela reportagem.

"Movimento de diálogo"

Os três partidos voltarão a se encontrar na próxima terça-feira para definir o destino da terceira via. Até lá, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, terá a missão de oferecer a Doria alternativas de composição. Não seria uma "saída honrosa", mas um convite para que ele se integre à terceira via em outras funções, e não apenas como nome para ocupar a já ofertada vaga de vice. Representantes da cúpula tucana estão articulando, para os próximos dias, um encontro com o ex-governador, em São Paulo, para apresentar essas alternativas.

"Nós estamos reunidos para tentar saber quem melhor responde a esses 50% que não estão satisfeitos e veem como negativo para o Brasil essa polarização (entre Lula e Bolsonaro)", disse Roberto Freire. Perguntado sobre como ficará a terceira via se o PSDB não apresentar uma solução para a divisão interna, o dirigente foi enfático: "Aí, acabou, mas não tenho preocupação com isso". Segundo ele, o interesse maior de oferecer uma alternativa viável para o país prevalecerá sobre posições individuais ou isoladas.

Em São Paulo, Doria passou o dia reunido com seus principais assessores de campanha e não comentou as notícias que saíram a respeito da reunião. Em uma rede social, porém, o pré-candidato tucano postou a seguinte mensagem: "O momento é de diálogo. O projeto de construção política deve priorizar o Brasil e o povo brasileiro".

No comitê de campanha do ex-governador paulista, o clima é de expectativa e apreensão desde que a Comissão Executiva do PSDB decidiu, anteontem, insistir para que Doria desista da candidatura. A interlocutores, ele reclamou de não ter sido convidado para a reunião da Executiva e mantém o discurso de seguir adiante com a pré-candidatura, respaldado pela vitória nas prévias, no fim do ano passado. Mas a carta que enviou a Bruno Araújo, confrontando o movimento interno para tirá-lo da disputa, foi considerada "um erro" pelos tucanos mais influentes e ajudou a ampliar a oposição à sua candidatura.

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