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'Caminhoneiro não é burro e sabe fazer conta', diz presidente da Abrava

O presidente da Abrava indagou como o dinheiro será entregue aos caminhoneiros autônomos e reforçou o pedido para divulgar o real tamanho do estoque de óleo diesel no país

Correio Braziliense
postado em 08/07/2022 05:52 / atualizado em 08/07/2022 05:53
 (crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)
(crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o "Chorão", divulgou nota, ontem, criticando o auxílio-caminhoneiro sugerido pelo governo federal na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Benefícios. Para o dirigente, "mil reais não resolvem o problema dos caminhoneiros autônomos". Ele ainda qualificou o auxílio como "afronta à inteligência" da categoria e "tentativa clara de comprar o direito mais digno de um cidadão, que é o seu voto".

Chorão ressaltou que "caminhoneiro não é burro e sabe fazer conta". O auxílio de R$ 1 mil daria para colocar 133 litros de óleo diesel no tanque, com o litro, "sendo otimista", a R$ 7,50. Ele detalhou que a maioria dos caminhoneiros autônomos tem veículos antigos, que fazem, no máximo, 2km por litro do combustível. "Com a PEC da esmola, os caminhoneiros, conseguem rodar 266km. É uma falta de respeito", reforçou.

O presidente da Abrava indagou, também no comunicado, como esse dinheiro será entregue aos caminhoneiros autônomos e reforçou o pedido a respeito de se divulgar o real tamanho do estoque de óleo diesel no país. "E qual a previsibilidade de aumentos de combustíveis (diesel, gasolina, gás) em face do aumento do dólar?", citou. "Lembrando que mudou o presidente da Petrobras, mas o PPI (preço dos combustíveis conforme a paridade de importação) continua firme e forte", criticou.

Chorão terminou a nota pedindo que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não "duvide da inteligência" dos caminhoneiros, que não precisam de esmola, e, sim, de respeito".

Na quarta-feira, a Frente Parlamentar em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a tramitação da PEC dos Benefícios na Câmara. "É construção de um 'Frankenstein' para legalizar uma pedalada Tabajara com um único objetivo de atender a ganância eleitoreira de Jair Bolsonaro e manter as benesses a especuladores financistas com a ganância financeira de Paulo Guedes", disse o deputado Nereu Crispim (PSD-RS), que preside a Frente Parlamentar.

O parlamentar argumentou que a PEC fere cláusulas pétreas da Constituição, a separação dos Poderes, o Estado democrático de direito e o Orçamento. "A modificação proposta à Constituição não é só conferir cheque em branco aos programas e auxílios mencionados, mas a todo o orçamento e finanças públicas, afastando todos os mecanismos de controle e fiscalização do erário [...]", diz trecho do mandado.

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