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Parceria feminina na garupa

Bolsonaro põe ex-ministra Tereza Cristina no banco traseiro da moto um dia após Pedro Guimarães deixar a Caixa por assédio

O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, ontem, de uma motociata em Campo Grande (MS) com a ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, como companheira de passeio — estava na garupa. A ideia, além de turbinar a campanha que ela faz ao Senado, foi também a de apagar a má imagem deixada pelo episódio de assédio sexual envolvendo o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães — que até então era uma figura próxima de Bolsonaro. De acordo com as pesquisas de intenção de voto, o presidente amarga alta rejeição entre as eleitoras.

Mais cedo, em evento de entrega de residências populares na capital sul-mato-grossense, o presidente teceu vários elogios à ex-ministra. Disse que, apesar da "aparência frágil", ela é uma "gigante" e "amada por todos".

"Nós podemos viver sem muita coisa, mas não sobrevivemos sem alimento. A ministra Tereza foi gigante nessa pandemia. Ela à frente, somado com vocês, pessoas do agro, mantiveram nossa economia funcionando", comentou, levando a plateia a aplaudir a ex-ministra. O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), que tentará a reeleição e comporá chapa majoritária com Tereza, também estava no palco. Outro que estava ao lado de Bolsonaro era Walter Braga Netto, futuro vice para a reeleição.

Ao falar sobre o pleito de outubro, o presidente disparou contra os adversários de corrida presidencial. Além de repetir que "as cores de todos nós são a verde e a amarela", também reforçou a fala de que "o vermelho representa tudo que há de ruim no momento em nossa pátria" — em alusão ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Vocês defendem a posse de arma para a pessoa de bem? Vocês, assim como eu, são contra a ideologia de gênero? Vocês são contra a liberação das drogas? Sim, somos contra. Vocês sabem do trabalho que fazemos para diminuir o trabalho (do) MST. Não foi um trabalho de força, foi um trabalho para titular terras", afirmou, para êxtase da plateia.

Decisão racional

Bolsonaro exortou os presentes a decidirem o voto com "a razão", e não com "emoção". Ainda cometeu o ato falho de dizer que a votação será em 2023. "Seu ato em outubro do ano que vem pode simplesmente definir a maneira como se vai viver: como um brasileiro ou como um venezuelano. E nós sabemos o que nós queremos", cobrou.

Para os apoiadores, o presidente negou que estivesse fazendo campanha, tanto que prometeu retornar a Campo Grande com essa finalidade. "O momento (aqui) é outro. É um ato de entrega de apartamentos", frisou.

O presidente, porém, se irritou quando seu discurso foi interrompido por alguém na plateia que gritou o nome do deputado estadual Capitão Contar (PRTB), pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul — Bolsonaro deve apoiar a reeleição de Riedel. Irônico, Bolsonaro o convidou a subir ao palco.

"Esse não ouviu o que eu acabei de falar aqui no início. Quando os bons se dividem, os maus vencem", disse o presidente, referindo-se a menção que fizera .