ELEIÇÕES 2022

Saiba quem são e o que fazem os 1,8 milhão de mesários que atuarão na eleição

Apesar de o TSE ter contabilizado aproximadamente 121 mil pessoas a menos do que em 2018, houve uma grande adesão da sociedade para ocupar a função de mesário, no pleito de outubro. Quase 1,8 milhão vão participar

Mariana Albuquerque*
postado em 06/09/2022 03:55
 (crédito: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 31/10/10)
(crédito: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 31/10/10)

A primeira semana de agosto foi a última para cidadãos chamados para atuarem como mesários, nas eleições de outubro, recusarem a convocação. Mas esse não será um problema para o pleito: apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter contabilizado cerca de 121 mil pessoas a menos do que em 2018, houve uma grande adesão para o cumprimento da função.

De acordo com o corte eleitoral, 1.781.994 mesários foram convocados para compor as mesas receptoras ou para atuar como apoio logístico. Desses, 68% dos que trabalharão nas zonas de votação são mulheres — que, aliás, são a maioria do eleitorado.

O número de voluntários para outubro quase dobrou em relação a 2018. No total, 47,61% das pessoas que trabalharão nas eleições deste ano se ofereceram. O TSE conta com aproximadamente 847 mil pessoas que se apresentaram para o trabalho, 93% a mais do que quatro anos atrás — quando em torno de 430 mil mesários voluntários compareceram às seções eleitorais para prestar o serviço.

O governo federal oferece benefícios para quem é voluntário. Os dias trabalhados podem contar como horas complementares em cursos universitários e, além disso, o voluntariado serve para desempate em concurso caso seja necessário. Além disso, no dia da eleição o mesário recebe um auxílio-alimentação no valor máximo de R$ 45.

Quem trabalha nas seções também tem direito a dois dias de folga por cada jornada de votação, sem desconto no salário dos dias que ficou à disposição da Justiça Eleitoral. Esse descanso, porém, deve ser negociado com a empresa, o órgão ou a instituição em que o mesário trabalha.

mesario eleicao 2022
mesario eleicao 2022 (foto: thiago fagundes)

Cidadania

Mateus Mourão, 23 anos, é lotado como mesário em Águas Lindas (GO). Para ele, a maior vantagem de atuar na função é o direito à folga. "Havia me interessado em ser mesário pelo o benefício da folga no trabalho pelo dia trabalhado na função. É uma prestação de serviço cansativa e que exige atenção aos mínimos detalhes para que não haja nenhum erro", compartilha.

Marcus Moura, 34, é professor da rede pública do DF e trabalha como mesário desde as eleições de 2014. Ele foi convocado pelo Cartório Eleitoral, mas diz que sempre gostou de atuar na função. "Primeiro, por acreditar ser mais uma forma de exercer a minha cidadania e, segundo, as dispensas do serviço (folgas) são bem vindas, principalmente quando surge alguma emergência", explica.

Ele faz parte da minoria masculina que está como voluntária, já que apenas 32% do total de mesários para esta eleição são homens. O perfil médio dos participantes que irão trabalhar na votação é de mulheres (68%), do grupo etário entre 35 e 39 anos (17%), solteira (63%) e com ensino superior completo (36%).

A próxima eleição contará com 4.181 pessoas com deficiência e, desse número, 23,51% têm problemas de locomoção; 14,47% apresentam dificuldades visuais e 9,66%, auditivas. Nada menos que 0,33% tem dificuldades para o exercício do voto e os demais 52% possuem outras deficiências.

Segundo o Código Eleitoral, em caso de falta o voluntário deve justificar o motivo ao Juiz Eleitoral ou receberá multa. No caso dos servidores públicos, a punição pode ser aumentada para uma suspensão de até 15 dias.

A mesa receptora de votos é formada por um presidente, um primeiro e um segundo mesários, e um secretário. Essa estrutura que zela para que o ambiente de votação siga todas as regras previstas pelo TSE.

Segurança

Por causa dos ataques às instituições eleitorais promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores, no último dia 25 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados discutiu normas e meios para que servidores nas eleições não tenham o trabalho afetado ou interrompido por manifestações agressivas. Lucas Ferreira, representante da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário e Ministério Público da União (Fenajufe), destacou na audiência a importância de uma segurança reforçada. "É necessário que haja um treinamento específico para servidores e mesários, para que saibam como se comportar diante de uma tentativa de ataque à urna fisicamente, a um servidor ou ao local", explicou.

Segundo uma pesquisa feita pelo relatório Exame, 39% dos entrevistados concordaram com a frase "eu já tive medo de trabalhar em uma eleição". "O fato de o atual governo deixar público a sua descrença no processo eleitoral, pelo qual ele mesmo foi eleito, é preocupante. Isso faz com que boa parte dos eleitores acreditem nas diversas fake news que são espalhadas sobre as eleições e os políticos", observa o mesário Marcus Moura.

A mesma pesquisa mostra que 78% dos voluntários nunca tiveram problema nas eleições passadas. Como atesta Marta de Freitas Silva, 48, mesária no Ceará há 20 anos. "A justiça eleitoral dá todo suporte. Tanto os juízes como a força policial estão sempre circulando. Então. na seção em que trabalho, não se tem, geralmente, muitos problemas", garante.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

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