Eleições 2022

Campanha de Kalil ganha fôlego com debate e Ipec e se anima com 2° turno

Confronto com Zema na TV aberta e redução em seis pontos da distância para o governador baseiam tese de que eleição em Minas pode ter definição adiada

Guilherme Peixoto - EM
postado em 28/09/2022 17:40 / atualizado em 28/09/2022 17:40
Aliados de Kalil (foto) apostam em crescimento a reboque de Lula na reta final -  (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 20/9/22)
Aliados de Kalil (foto) apostam em crescimento a reboque de Lula na reta final - (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 20/9/22)

O crescimento de cinco pontos de Alexandre Kalil (PSD) na mais recente pesquisa Ipec sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais e o desempenho dele no debate da TV Globo fizeram crescer a confiança da campanha do ex-prefeito de Belo Horizonte em um segundo turno. Integrantes do entorno de Kalil, ouvidos sob reservas pelo Estado de Minas nesta quarta-feira (28/9) acreditam ser possível viabilizar um confronto direto com Romeu Zema (Novo).

A ideia é que o segundo turno ocorra a reboque do aumento das intenções de voto no estado do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia o candidato do PSD. Segundo o Ipec, Lula venceria o confronto contra Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno em Minas.

O debate de ontem foi o primeiro com a participação de Zema, que faltou aos encontros organizados, respectivamente, por TV Alterosa/EM/Portal Uai e pelo "Grupo Bandeirantes".

Um integrante do alto escalão da campanha de Kalil apontou "fragilidade" na postura demonstrada por Zema durante o enfrentamento.

"Todos os candidatos ganharam e Zema perdeu", disse o interlocutor.

Durante o debate, Zema reforçou a estratégia adotada por sua campanha desde o início do período eleitoral. Sob a expressão "PT-Pimentel", ele centrou esforços em atribuir os problemas financeiros do estado à gestão de Fernando Pimentel (PT).

Queda na distância e crença em 'onda vermelha'

Segundo o levantamento divulgado ontem pelo Ipec, Zema aparece com 45% das intenções de votos - o governador oscilou para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos, pois tinha 46% no dia 20. Do outro lado, Kalil subiu cinco pontos e chegou a 34%.

Hoje, durante caminhada em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, o pessedista afirmou que o adversário foi aos estúdios da Globo ontem por causa dos números da sondagem. "A pesquisa de ontem foi mortal e ele (Zema) viu", falou. Os 45% de Zema representam 51,7% dos votos válidos. Portanto, para forçar um segundo turno, o governador precisa desidratar em 1,7 pontos.

Lula, por sua vez, atingiu 49% em Minas, conforme o mesmo Ipec. O índice representa crescimento de três pontos em relação ao visto na semana passada. Enquanto isso, Bolsonaro aparece com 31%, mesmo percentual de 20 de setembro.

Nos círculos da coligação liderada pelo PSD de Minas, a reação de Kalil é interpretada como movimento associado ao crescimento de Lula no estado.

Integrantes da campanha do ex-prefeito belo-horizontino têm utilizado a expressão "onda vermelha" - a mesma que o próprio Kalil usou na sexta-feira (23), durante comício com o presidenciável petista em Ipatinga, no Vale do Aço.

"Independentemente do que acontecer, apesar da onda vermelha estar vindo e inundar esse estado - e eles estão com medo -, obrigado, presidente Lula, por tudo o que o senhor tem me ensinado e feito por mim", afirmou o pessedista.

A caça de Kalil por votos à esquerda

O diretor de um instituto de pesquisas que costuma promover levantamentos sobre a corrida eleitoral em Minas apontou que, para consolidar a reação, Kalil precisa recuperar votos de eleitores de orientação à esquerda. Segundo ele, dados mostram que um terço dos votantes de Minas que escolheram Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT) na eleição presidencial de 2018 estão caminhando com Zema.

O executivo de outro instituto, por sua vez, afirmou que as chances de segundo turno aumentaram.

O voto "Luzema" é encarado com naturalidade, inclusive, pelo governador mineiro."O eleitor é pragmático. Ele vota onde percebe que há melhores perspectivas e tivemos no passado uma coincidência durante o governo do presidente Lula de uma série de fatores no mundo, como a alta das commodities, que fez com que o Brasil vivesse um momento bom. Não podemos falar que a gestão dele foi boa. Houve um momento bom, mas causado por conjunturas externas", opinou Zema, na semana passada, à "Folha de S. Paulo".

Kalil e vice continuam 'separados' para ampliar roteiro

Na reta final da campanha, Kalil e seu candidato a vice, o deputado estadual André Quintão, do PT, vão manter a tática de se separar em parte das agendas. Para visitar o maior número possível de localidades, eles têm apostado incursões solo de parte a parte. Em outros eventos, contudo, participam juntos.

Hoje, enquanto Kalil estava em Divinópolis, Quintão se deslocava para cumprir compromissos em cidades como Muriaé e Manhuaçu, na Zona da Mata.

A pesquisa Ipec citada neste texto está registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-00909/2022. O nível de confiança é de 95%. Duas mil pessoas foram entrevistadas. Sou muito grato e leal a esse homem.

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