Após sofrer ameaça de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), no Sul do país, o candidato ao Planalto Ciro Gomes (PDT) declarou: "Não percam seu tempo com isso, não vale a pena", ao ser questionado sobre a agressão. Durante a campanha em Porto Alegre, ontem, cumpriu agenda com aliados. O ex-governador do Ceará participou de um comício da neta de Leonel Brizola, a deputada Juliana Brizola (PDT), em um barracão de uma escola de samba no Menino Deus, na capital do Rio Grande do Sul.
Durante o evento, Ciro criticou novamente o que considera polarização eleitoral entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro, afirmando que eles têm pendências na Justiça e que os filhos respondem por acusações de corrupção. O presidenciável estava acompanhado do candidato ao governo estadual gaúcho Vieira da Cunha (PDT).
O candidato afirmou ainda que pretende sair do terceiro lugar com a "bênção de Deus" e a inteligência do eleitorado brasileiro, tendo obstinação e paciência. Com apoiadores gritando "Ciro guerreiro do povo brasileiro" e "Cirão da massa", o pedetista discursou para um grupo de apoiadores. "Escolhemos o caminho mais difícil e espinhoso, porque é necessário, pois existe uma crise que se abate sobre a nação, que é muito grave. Uma tragédia humana", disse Ciro no evento. "De cada 100 trabalhadores, 70 estão desempregados, desistiram de procurar emprego ou estão no mercado informal. E os que estão trabalhando estão fazendo uma carga horária superior ao que deveriam."
Mudanças
Já Simone Tebet (MDB) reservou ontem para caminhar pela Avenida Paulista, em São Paulo, dia em que o trânsito permanece fechado para veículos e as pistas são tomadas por milhares de moradores e turistas. Acompanhada de Mara Gabrilli (PSDB), candidata a vice-presidente; Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania; e de Claudia Carletto, ex-secretária de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e candidata a deputada federal, Simone cumprimentou, posou para fotos e vídeos, ouviu sugestões e falou sobre seus principais projetos de governo.
A concentração começou às 10h, em frente ao Conjunto Nacional. A agenda é mais uma Caminhada da Esperança, nome da jornada que Tebet e Mara têm realizado desde a pré-campanha em estados de todas as regiões do país. O objetivo é apresentar à população os principais pontos do programa de governo para, como a candidata tem repetido, "reconstruir o Brasil com amor, responsabilidade e coragem". "Tenho andado por todo o país. Fui ao Norte, ao Sul e amanhã sigo para uma semana no Nordeste. O que mais tenho ouvido é que os brasileiros querem mudança. Querem a nossa mudança", disse a candidata.
Marina na campanha
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva ontem. Segundo um post publicado no Twitter, o pedido partiu de Lula, que recebeu o "sim" de Marina. "Hoje, a meu convite, depois de muitos anos, reencontrei com Marina Silva. Relembramos da nossa história, desde quando nos conhecemos. Conversamos por duas horas e ela me apresentou propostas para um Brasil mais sustentável, mais justo e que volte a proteger o meio ambiente", publicou na rede social. Ontem o candidato do PT, também não teve agenda oficial de campanha.
A ex-ministra entregou um conjunto de propostas na área de meio ambiente. O gesto dos dois foi interpretado como um indício de que as rusgas do passado, notadamente na campanha de 2014, quando Marina da Silva enfrentou Dilma Rousseff na eleição presidencial, ficaram para trás. Na ocasião, Marina da Silva foi alvo da militância do PT nas redes sociais e, há quatro anos, deu o troco no PT quando não declarou apoio ao também ex-ministro Fernando Haddad no segundo turno das eleições.