JOIAS SAUDITAS

"Podia ser um copo de água, ninguém sabia", diz Flávio Bolsonaro sobre joias

Segundo Flávio, a pressão para recuperar as joias aconteceu devido a troca de governo. Filho do ex-presidente nega má-fé neste caso

Francisco Artur
postado em 20/03/2023 10:14
 (crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
(crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) justificou que a pressão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob a Receita Federal para recuperar joias apreendidas pelos agentes ocorreu porque havia uma troca de governo no Palácio do Planalto. Para a voz dos Bolsonaro no Senado, o fato de seu pai dar lugar para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez com que Jair tomasse "providências".

"Ele [ex-presidente] não agiu pessoalmente. Foi o ajudante de ordem dele,  para desembaraçar tudo o que ele tinha de acervo lá, pessoal ou que é para acervo público. Na troca de governo, ele tinha que tomar providências", explicou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (19/3). 

Quanto à pressão para que o ajudante de ordens revesse o pacote de joias apreendidas pela Receita Federal, Flávio se refere ao episódio em que o tenente-coronel Mauro Cid mobilizou, por meio de um avião das Força Aérea Brasileira (FAB), uma equipe para ir presencialmente ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com o objetivo de conseguir a liberação dos produtos. As joias em questão haviam sido apreendidas em 2021, após uma comitiva do governo Bolsonaro retornar da Arábia Saudita portando um pacote com um relógio e pedras preciosas. 

À época da apreensão, a comitiva presidencial afirmou que as peças apreendidas pela Receita eram presentes à então primeira-dama Michelle Bolsonaro. A justificativa não colou e os objetos continuaram retidos. 

Desconhecimento

Durante a entrevista ao veículo de imprensa, Flávio Bolsonaro argumentou que o conteúdo presenta na caixa apreendida pela Receita era de desconhecimento da comitiva do Brasil que retornou do país saudita. "Ninguém sabia o que tinha lá dentro. Podia ser um copo de água, ninguém sabia. E se tivesse má-fé, ninguém ia fazer o trajeto de passar pelo raio-x da Receita, não ia trazer num voo comercial", pontuou.

A comitiva presidencial, na época, era comandada pelo então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Para Flávio, o desconhecimento sobre o que aquela caixa levava faz com que o então titular da pasta seja inocente. "Eu não vejo culpa dele [Bento] também nesse assunto. Se eu te der um presente lacrado e disser "ó, entrega lá para o seu marido", você vai abrir? Não. Você vai pegar o presente e vai dar lá para o seu marido", disse.

Bolsonaro nos EUA 

Na conversa com o jornal, Flávio também falou sobre os movimentos políticos de Jair Bolsonaro. Quanto à relação do pai com o escândalo das joias sauditas, o senador afirmou que Jair esclareceu o ocorrido. "É uma forçação de barra para desviar dos reais problemas do Brasil. Ele [Jair Bolsonaro] preferiu ignorar. Deixa as autoridades investigarem à vontade".

O caso do presente da Arábia Saudita é investigado pela Polícia Federal. Sobre o futuro político do pai, o parlamentar negou que o fato de Bolsonaro protelar a estadia nos Estados Unidos tenha a ver com as investigações envolvendo as joias. "Ele continua fazendo os contatos lá com brasileiros, com pessoas do Partido Republicano", concluiu.

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