Ex-presidente

CPMI: governo preparou discurso não lido por Bolsonaro reconhecendo derrota

Quase dois dias depois do pleito, Bolsonaro agradeceu aos eleitores mas não citou Lula e nem reconheceu ter perdido. Ficou a cargo do então ministro Ciro Nogueira confirmar a transição de governo

Ingrid Soares
postado em 08/08/2023 14:47 / atualizado em 08/08/2023 14:49
Bolsonaro:
Bolsonaro: "A diferença no resultado da votação foi de apenas 1,8%. Estou certo de que, se houvesse imparcialidade e igualdade de tratamento, o resultado seria muito diferente" - (crédito: Beto Barata/PL)

O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, enviou no dia seguinte do segundo turno das eleições de 2022 uma versão do discurso de derrota para o então presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto, no entanto, nunca foi lido publicamente pelo ex-chefe do Executivo. Quase dois dias depois do pleito, Bolsonaro quebrou o silêncio, agradeceu aos eleitores, condenou bloqueios nas rodovias, mas não citou em nenhum momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nem reconheceu ter perdido. O material foi revelado nesta terça-feira (8/8) pelo jornal O Globo

O teor do documento enviado por email a Bolsonaro e ao então chanceler Carlos França, com cópia para o ajudante de ordens de Bolsonaro Daniel Lopes de Lucca, foi obtido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os atos golpistas do 8 de janeiro. 

O discurso fazia críticas aos institutos de pesquisa e à imprensa, mas mencionava a não contestação das eleições por parte de Bolsonaro.

"A diferença no resultado da votação em favor de meu adversário foi de apenas 1,8%. Estou certo de que, se houvesse imparcialidade e igualdade de tratamento, o resultado seria muito diferente."

"Eu sempre disse que o Brasil está acima de tudo e Deus acima de todos e que daria minha vida pelo Brasil. Por esse motivo, não contestarei o resultado das eleições", apontava outro trecho do discurso não utilizado.

No dia 1º de novembro, após o discurso de 2 minutos de Bolsonaro, ficou a cargo do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), confirmar que o presidente havia autorizado a transição de governo.

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