DIA DO TRABALHADOR

Ministro do Trabalho defende ‘trabalhar para viver’ e critica escala 6x1

Em artigo publicado no Correio Braziliense, Luiz Marinho defende redução da jornada e critica cultura que naturaliza excesso de trabalho

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, publicou, nesta sexta-feira (1º/5), um artigo no Correio Braziliense e em outros veículos de comunicação, em que defende a redução da jornada de trabalho no país e critica a cultura que, segundo ele, leva trabalhadores a “viver para trabalhar”.

No texto, em celebração ao feriado do Dia do Trabalhador, o ministro sustenta que o modelo atual ainda mantém milhões de brasileiros submetidos a jornadas consideradas excessivas, especialmente na escala 6x1 (seis dias de trabalho para apenas um de descanso). Ele argumenta que essa lógica não se sustenta do ponto de vista econômico nem do social.

Dados citados no artigo indicam que, embora a maior parte dos trabalhadores formais já esteja em regimes com dois dias de folga, cerca de um terço ainda permanece na escala 6x1, o que, para o chefe da pasta, revela uma resistência cultural, e não uma necessidade produtiva.

Marinho defende que a redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte salarial, pode melhorar a qualidade de vida, fortalecer vínculos familiares e, ao mesmo tempo, impulsionar a economia.

O posicionamento se alinha com a proposta do governo federal de revisão do modelo atual de trabalho, que inclui o fim da escala 6x1. Segundo o ministro, jornadas extensas estão associadas ao aumento de doenças ocupacionais, especialmente mentais, além de maior incidência de faltas e de acidentes.

"Trabalhadores mais cansados faltam mais, produzem menos e têm maior dificuldade de aprendizado. A rotatividade cresce, elevando custos com demissões, contratações e treinamento. Descansar não é o oposto de produzir — é condição para produzir melhor, com mais qualidade e mais eficiência", escreve o ministro.

Marinho resume essa transformação ao defender que o trabalho deve ser meio, e não fim, na vida das pessoas. "O tempo de viver é agora. Trabalhar não pode significar abrir mão da vida. Os parlamentares aprovarem essa proposta representa dar um passo necessário rumo a um país mais justo, mais produtivo e mais humano", finaliza o ministro no texto.

 

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