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Marcha para Jesus tem tom de campanha com disputa de narrativas

Diante de uma multidão em São Paulo, Flávio Bolsonaro afirma que o mal "vai ser expulso do governo deste Brasil". Caiado também aproveita para atacar presidente. Lula diz que ausência do ato foi para "não tirar proveito político de uma coisa sagrada"

Com milhares de fiéis nas ruas de São Paulo, a Marcha para Jesus, no feriado de Corpus Christi, atraiu pré-candidatos às eleições deste ano e teve discursos em tom de campanha. Entre os presentes estava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos); o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD); o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e outros políticos. O advogado-geral da União, Jorge Messias, representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também compareceu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro atacou a gestão Lula ao falar à multidão. "Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual. E hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano, em nome do senhor Jesus", discursou.

Flávio também citou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar humanitária, após ser condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. "Queria muito que meu pai estivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele. Obrigado a todo mundo pela orações, continuem orando pelo Brasil", acrescentou.

Também pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado foi outro que aproveitou a evento religioso para criticar Lula. "O povo quer alguém com dignidade e integridade moral para poder dizer aos jovens que eles não serão mais subordinados ao narcotráfico e que não vão viver sob um governo de corrupção", discursou. Se chegarmos lá (ao Planalto), vamos devolver o Brasil aos brasileiros de bem", acrescentou o ex-governador de Goiás, que esteve ao lado do presidente do PSD, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Messias esteve na Marcha pela quarta vez representando o governo. Ele postou um vídeo nas redes sociais em que aparece em cima do trio com o apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento. O AGU liga, então, para Lula e o coloca para falar com o líder religioso. Na conversa, o presidente, pré-candidato à reeleição, deu uma estocada nos adversários, ao justificar sua ausência no ato.

"Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", argumentou Lula, na ligação com Hernandes.

O chefe do Executivo lembrou ter sancionado a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus (em 2009). Também agradeceu pelo carinho do apóstolo com "o companheiro Messias". Hernandes respondeu: "Messias é um grande irmão, e a gente fica muito feliz aqui com a presença dele, viu, presidente".

No ato, Messias ressaltou que a Marcha não era lugar para "comício" e falou em renovar a fé a esperança. "Jesus não fez segmentação na sua mesa, e nós estamos aqui com um único propósito: louvar e adorar o nome do nosso senhor Jesus Cristo. Sem segregação, com amor, com coração leve, com muito espírito de louvor e adoração", frisou o AGU.  

Ao comentar, com jornalistas, a eventual nova indicação ao STF, prometida por Lula, Messias disse ter aprendido a "colocar a vida nas mãos de Deus". "Eu vou esperar a resposta de Deus, vou esperar a posição do presidente", destacou. O nome dele foi rejeitado no Senado por 42 x 34, no fim de abril.

Reaproximação

O evento marcou a aparente reaproximação de Flávio Bolsonaro com Tarcísio de Freitas, pré-candidato à reeleição ao Governo de São Paulo. A relação entre os dois estava estremecida desde as revelações de que Flávio negociou R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para custear o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente. Na ocasião, o governador de São Paulo disse que o senador tinha de se explicar sobre o pedido de dinheiro ao banqueiro.

Na semana passada, Tarcísio saiu em defesa da Polícia Civil de São Paulo, criticada por Flávio após a operação deflagrada contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina da Gama, produtora de Dark Horse. As suspeitas são de fraude em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de rede wi-fi na capital paulista. 

 

 

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