JUDICIÁRIO

André Mendonça fala em 'infelicidade' nos primeiros anos no STF

Ministro também afirmou um ministro ou juiz não deve ter a pretensão de ficar rico com o cargo, porque, segundo ele, o salário não proporcionaria uma vida sem preocupações financeiras

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que os primeiros anos no cargo foram marcados por “infelicidade”. A declaração foi feita durante o V Seminário da Associação Nacional dos Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado em São Paulo, em 21 de agosto.

“E mesmo hoje, podem ter certeza, é muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer coisa. Minha esposa está aqui e sabe, as limitações pessoais, as pressões, os momentos difíceis”, disse aos presentes. 

 
 
 
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O ministro afirmou ainda que já conversou com colegas sobre o tema e, sem citar nomes, disse que a percepção é compartilhada por outros integrantes do Judiciário. “Não somos diferentes, não deixamos de ser humanos e temos, muitas das vezes, uma sobrecarga sobre-humana”, ponderou.

Salário

Durante a fala no evento, Mendonça também afirmou que um ministro ou juiz não deve ter a pretensão de ficar rico com o cargo, porque, segundo ele, o salário não proporcionaria uma vida sem preocupações financeiras.

“A gente tem que controlar despesas no dia a dia. Não é uma vida nababesca, é uma vida que você pode ter uma condição média, eu diria muito até acima da média da condição brasileira, mas uma condição média de vida”, afirmou.

Para o magistrado, os membros do Judiciário estariam em uma “classe B”, ou seja, “uma classe privilegiada, mas não é uma que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”.

André Mendonça 

André Mendonça nasceu em dezembro de 1972, em Santos (SP), e foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo então presidente Jair Bolsonaro, em julho de 2021. O ministro ficou conhecido pela declaração de Bolsonaro de que seria “terrivelmente evangélico”, feita em julho de 2019, durante um evento na Câmara dos Deputados.

Durante a sabatina no Senado, Mendonça defendeu a laicidade do Estado e afirmou que, na Corte, seu principal guia seria a Constituição, e não a religião.

“Ainda que eu seja genuinamente evangélico, entendo não haver espaço para manifestação pública religiosa durante as sessões do STF. Neste contexto, também reconheço que a Constituição é e deve ser o fundamento de qualquer decisão por parte de um ministro do Supremo. Como tenho dito quanto a mim mesmo: na vida, a Bíblia; no Supremo, a Constituição.” Ele foi aprovado pelos senadores e tomou posse em dezembro de 2021.

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