Governador eleito por Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou a defender a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e afirmou que a mudança representa uma forma de garantir dignidade aos trabalhadores.
Durante a discussão da matéria no Senado, nesta quarta-feira (14/10), ele pediu que os parlamentares votassem favoravelmente ao texto e criticou os privilégios dos integrantes do Congresso Nacional em comparação com as condições enfrentadas pelos trabalhadores.
“Essa luta, gente, não é de esquerda nem direita, não. Essa luta é do trabalhador”, declarou Cleitinho, ao defender que a proposta fosse aprovada por unanimidade.
O senador citou a rotina de quem trabalha seis dias para descansar apenas um, utiliza transporte público lotado e recebe um salário de R$ 1.600. Na avaliação dele, essas condições contrastam com os benefícios oferecidos aos parlamentares.
“Enquanto o trabalhador está ralando na 6 por 1, pegando ônibus lotado e recebendo R$ 1.600, o Congresso está parado”, afirmou. Cleitinho também criticou benefícios destinados a deputados e senadores e cobrou que o Legislativo priorize medidas voltadas à população.
Ao pedir apoio à proposta, o parlamentar afirmou que a função dos senadores é legislar e fiscalizar e defendeu que o Congresso atue em favor dos trabalhadores. Ele também reconheceu a atuação do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da proposta que deu origem à discussão.
Contrapartida aos empresários
Apesar de defender o fim da escala 6x1, Cleitinho afirmou que a mudança deve vir acompanhada de medidas para reduzir os custos das empresas. Ele citou a desoneração da folha de pagamento e a redução de impostos como alternativas para compensar os empregadores.
“Quem tem que cortar da própria carne não é o trabalhador nem o empresário. Quem tem que cortar da própria carne é o Congresso Nacional”, disse.
O senador também defendeu a adoção da escala 5x2, em que o trabalhador tem dois dias de descanso por semana, e pediu celeridade na tramitação da proposta.
Senado aprovou em 1° turno texto da PEC
O texto da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 e reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas recebeu 75 votos à favor e um voto contrário. O senador Sergio Moro registrou a presença, mas não votou.
A matéria é considerada prioritária para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e é votada cinco meses após ter chegado ao Senado, a menos de duas semanas do 2° turno das eleições. Foram cinco sessões de discussão, assim como manda o regimento.
Parlamentares da oposição esvaziaram os encontros e articularam um adiamento da votação para depois das eleições. Na semana passada, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), chamou a discussão da PEC neste momento de “oportunista” e “eleitoreira”.
Flávio, que criticou a PEC durante toda sua campanha, recuou nesta semana. Sabendo que o texto seria votado, disse nesta terça-feira (13), que votaria a favor da matéria. "A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse Flávio.
Nesta quarta, o PL liberou a bancada na hora da votação, mas alguns, como Flávio, passaram a maior parte da discussão sem registrar presença. Marinho, Ciro Nogueira (PP-PI) e Márcio Bittar (PL-AC) não registraram presença. Vale lembrar que, caso o bolsonarista vença a disputa à Presidência, há possibilidade de que o novo Congresso de 2027 dê andamento a uma PEC alternativa, apresentada por Marinho. Nela, a jornada de trabalho seria flexível e o trabalhador poderia negociar com o empregador as horas trabalhadas.
