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As vilãs de Regiane Alves

Com as reprises na tevê, a atriz retorna às telas com duas personagens que ficaram marcadas pelas maldades: Dóris, de Mulheres apaixonadas, e Clara, de Laços de família

Adriana Izel
postado em 15/10/2020 18:05
 (crédito: Vinícius Mochizuki/Divulgação)
(crédito: Vinícius Mochizuki/Divulgação)

Em março deste ano, a atriz Regiane Alves se preparava para integrar o elenco de Malhação: Transformação, que seria a sucessora de Toda forma de amar. A pandemia chegou e tudo mudou. As filmagens da novela foram suspensas e estão previstas para serem retomadas apenas em 2021. A Globo confirmou a intenção de reprisar uma outra temporada do folhetim após o fim de Viva a diferença, atualmente no ar. “Com a pandemia, nosso cronograma todo mudou. O canal foi muito responsável e corajoso em tomar todas as medidas logo no início dos primeiros casos. Novelas foram suspensas, programas tiveram as rotinas reformuladas... Tudo para cuidar dos colaboradores da empresa. Nossa nova previsão de data é janeiro”, afirma a atriz.

Mesmo que não tenha retornado à telinha em nova personagem, Regiane Alves voltou em dose dupla, com duas das vilãs icônicas da carreira: Dóris, de Mulheres apaixonadas, exibida no canal Viva; e Clara, de Laços de família, que está sendo reprisada no Vale a pena ver de novo da Globo, ambas tramas de Manoel Carlos. Na primeira, ela interpretava uma jovem que maltratava os avós vividos por Oswaldo Louzada e Carmem Silva. Na segunda, viveu a esposa de Fred (Luigi Baricelli), filho de Helena (Vera Fischer), uma mulher mimada que faz o marido alugar um apartamento maior mesmo estando desempregado. “Apesar dos traços de vilania, (elas) eram bem diferentes. Dóris tinha uma maldade quase imatura, irresponsável, inconsequente... Clara já tinha uma amargura mesmo da vida”, afirma.

Das duas, ela escolhe Dóris como uma das personagens da carreira que guarda com carinho, pela importância da vilã na trajetória dela. “Tenho um carinho enorme pela Dóris, porque foi um trabalho muito marcante”, afirma. E explica: “Através da Dóris, Manoel Carlos trouxe uma pauta muito importante para ser discutida, que era a questão do idoso no nosso país. Além de entreter, ele é um autor que sempre traz uma reflexão e um tema social para as novelas. O Estatuto do Idoso foi aprovado na mesma época da novela. Logo no primeiro dia da novela no Viva, a Dóris entrou nos trending topics do Twitter. Apesar de ser uma novela de 2003, muitas questões dela continuam sendo muito atuais”.

Outra personagem importante apontada por Regiane Alves foi Rosália Olinto, em A Muralha (2000), trabalho em que se lançou na Globo. Até então, tinha feito Fascinação (1998), no SBT, e Meu pé de laranja lima (1998), na Rede Bandeirantes. Foi logo após a minissérie inspirada no romance homônimo de Diná Silveira de Queirós que estreou em novelas globais como a Clara, de Laços de família. Nos mais de 20 anos de carreira, a atriz ainda destaca as personagens Belinha, do remake de Cabocla (2004) e Marli, de Cidade proibida, seriado da Globo exibido em 2017. O mais recente trabalho em folhetins foi em O tempo não para. No ano passado, participou do quadro Dança dos famosos, do Domingão do Faustão.

Duas perguntas // Regiane Alves

Lembrando um pouco do passado, como foi viver Dóris?
Foi uma personagem muito desafiadora. Ela fazia coisas muito cruéis com aqueles avós dela. E eu, como intérprete, não podia deixar o meu julgamento transparecer. Não sou uma atriz que defende a personagem. Defendo o que o autor escreveu para ela. Manoel Carlos falava muito isso para mim. E dizia que era por isso que gostava de me dar esse tipo de personagem, porque eu não fazia com reservas. E foi muito intenso. Tive cenas que foram marcantes e exigiram muito de mim. Tanto com os queridos e saudosos Oswaldo Louzada e Carmem Silva, quanto com o Marcos Caruso (que interpretava o pai da personagem). Eram sequências que exigiam demais de nós. Minha composição estava muito focada nas informações do texto e do Maneco sobre a personagem, assim como nos meus colegas de cena. No horário nobre, eu tinha feito antes a Clara, de Laços de família, que também não era flor que se cheira. E eu queria muito compor a Dóris num lugar diferente.

Como tem sido o período de quarentena para você?
Acho que tem sido um período difícil para todos nós, porque é uma situação que a gente nunca pensou viver. O isolamento, o distanciamento social, as notícias tristes... Tem sido meses pesados. Fiquei isolada com os meus filhos e o meu olhar foi todo voltado para eles. Esses meses têm sido muito focados nas crianças e no bem-estar delas. Sei que, mesmo sendo ruim tudo isso, não posso nem reclamar, porque estou numa posição de privilégio diante de milhares e milhares de pessoas que vivem em situação de risco e com tão pouco.

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