Crônica da Revista

Descartando as velhas regras do jogo

Maria Paula
postado em 15/10/2020 18:10
 (crédito: Editoria de arte)
(crédito: Editoria de arte)

Como vamos transformar este mundo? Fazer essa pergunta parece algo estranho tamanha a delicadeza do momento em que vivemos. Mas é exatamente a capacidade de fazermos as grandes perguntas de nosso tempo que nos levará a um patamar diferente do que estamos hoje.

Para ser real e consequente na reflexão transformadora, primeiro é necessário refletirmos sobre o estado das coisas. Vivemos, hoje, sob um sistema que nos impõe a soma de todas as crises: sanitária, econômica, política, social, ambiental e muitas outras. E essas crises se consolidam a partir de três grandes males: a exploração, as opressões e a destruição da natureza.

A exploração está presente em todas as partes, com desigualdade crescente em plena pandemia e aumento da fome. É preciso ressaltar que as penúrias nessa sociedade aumentam severamente a depender de gênero, da raça, da opção sexual ou até da nacionalidade, entre outros critérios de opressões estruturais. Isso aumenta a exploração sofrida nas novas relações e expõe muitos ao risco de vida por meio de manifestações de ódio cada dia mais explícitas e banalizadas.

Para complicar ainda mais, além de uma sociedade que vive sob um sistema que explora e oprime, vivemos um tempo histórico em que a ação humana causou mudanças tão severas nos ciclos biogeoquímicos da Terra que a comunidade científica já considera uma mudança de era.

E a contradição reside no fato de que, mesmo diante de tantos limites planetários sendo perigosamente atingidos, falhamos na tarefa de dedicar toda nossa energia e recursos para deter a destruição.

Estamos diante de um aumento recorde na derrubada das florestas para virar pasto para gado e monoculturas. É a destruição da natureza gerando eventos climáticos extremos em nome da manutenção do sistema financeiro e do mercado de commodities.

É desanimador, principalmente porque aqueles que estão no “andar de cima” dessa pirâmide social seguem propagando que o único caminho é por meio do individualismo, da competição entre as pessoas e da autorrealização pelo consumo (que, além de não realizar verdadeiramente ninguém, coloca em risco toda a natureza).

Chegou a hora de romper esse ciclo e assumir nosso papel enquanto agentes de transformação da história!

Vale lembrar que grandes impérios que duraram milênios e pareciam invencíveis tombaram. Governos autoritários que pareciam imbatíveis foram derrotados. Tudo isso porque, naqueles momentos, existiram pessoas como nós, que não desistiram de sonhar e de construir, com um trabalho de formiguinha, um novo mundo possível, finalmente livre da exploração.

O que fizermos neste momento histórico não será esquecido. Só a ação coletiva, corajosa e transformadora pode descartar as velhas regras do jogo.

Que as futuras gerações possam contar desse nosso tempo histórias de amor, de esperança e de transformação nas cidades, no campo e nas florestas. Uma nova sociedade do bem viver, alcançando, finalmente, a harmonia entre os reinos animal, vegetal e mineral.

Retomando a série em parceria com jovens pensadores brasileiros, esta crônica foi escrita com Thiago Ávila, socioambientalista, youtuber no canal Bem Vivendo e organizador de mutirões de bioconstrução, agroflorestas e ações de solidariedade em geral.

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