Bichos

Dieta balanceada: por dentro da alimentação do pet

Os tutores devem ficar de olho na alimentação de cães e gatos para que não seja exagerada e não falte os nutrientes necessários

Amanda Silva*
postado em 15/11/2020 08:00
A ração de Albert é oferecida em minicircuitos de treinamento em casa -  (crédito: Arquivo pessoal)
A ração de Albert é oferecida em minicircuitos de treinamento em casa - (crédito: Arquivo pessoal)

O Brasil tem cerca de 78 milhões de cães e gatos nos lares. Essa paixão por animais, que cresce ano após ano, incentiva o aumento do mercado de pets no país. Com mais opções, os tutores encontram alternativas de alimentação para sair da rotina. Rações, petiscos, alimentos de diferentes sabores e texturas atendem a dietas específicas — e as preferências de cada cachorro e felino.

A grande diversidade oferecida, porém, pode deixar os donos confusos. Afinal, cada animal tem as suas exigências e, ao longo da vida do pet, isso também muda. A médica veterinária Andressa Guimarães, 37, formada pela faculdade União Pioneira de Integração Social do Distrito Federal (Upis-DF) e mestre em saúde animal pela Universidade de Brasília (UnB), explica que existem três tipos de alimentação que podem ser inseridos na dieta dos bichinhos: a completa, a coadjuvante e a comestível.

“O alimento completo é aquele que vai ter ingredientes que atenderão integralmente a todas as exigências nutricionais do animal, como proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e água”, detalha Andressa.

Já o coadjuvante é destinado a cães e gatos que possuem algum distúrbio metabólico e fisiológico. “São rações para animais diabéticos, cardiopatas ou com doenças do trato urinário”, exemplifica a médica veterinária. Por fim, o alimento comestível tem a finalidade de agradar, recompensar, dar um prêmio. Estão entre eles, petiscos, picolés e biscoitos para pets. São muito utilizados para a educação e o adestramento.

Todos os pets precisam de alimentos completos, mas a quantidade que o organismo necessita varia de acordo com o peso e a idade. Um filhote, por exemplo, vai precisar de muito mais proteínas do que um pet idoso, porque está entrando em fase de maturidade. Por isso, é importante seguir uma dieta específica para cada período da vida.

Na hora da escolha

A médica veterinária Paola Pereira, formada pela Upis e especializada em clínica médica de pequenos animais, diz que o melhor a se fazer é fracionar a alimentação em, pelo menos, três refeições diárias para que o pet fique tranquilo. Segundo ela, se dada em grande quantidade e o animal se mantiver muito agitado, a ração tende a fermentar no estômago, produzindo gases e deixa o órgão leve, parecido com um balão, predispondo à chamada torção gástrica, o que muitas vezes é fatal.

A ração também precisa ser escolhida de acordo com o peso e a idade do animal. “Há diferenças nas calorias e no tamanho dos grãos da ração. É importante que o pet mastigue bem para ter uma digestão melhor”, esclarece a veterinária.

Cada animal tem a sua exigência, mas a especialista reforça que a dieta deles precisa ser completa. “O melhor é que sempre seja elaborada, escolhida de forma individual, completa, balanceada, digestível, palatável, segura e suficiente”, enumera Paola.

Quando idosos, costumam desenvolver algumas doenças ou sofrer com o sobrepeso. Por isso, as rações indicadas para essa fase da vida são menos energéticas e possuem mais antioxidantes, que darão melhor qualidade de vida e prevenirão problemas fisiológicos, metabólicos e ósseos — mais frequentes nesse período.

Os tipos de rações

Do mesmo modo que os tutores estão preocupados com a saúde, os pets aceitarem a comida também é uma questão importante. Para Paola Pereira, os cães e gatos têm suas preferências por sabor e textura — principalmente gatos. Como os animais têm menos papilas gustativas de que nós, humanos, o uso de rações úmidas e semiúmidas pode mudar a forma como eles comem.

Com mais de 70% de umidade, elas apresentam menor composição de carboidratos. A palatabilidade agrada mais o olfato e o paladar do pet. Isso faz com que aumentem seu apetite. “Muitas vezes, o tutor acredita que seja fome. Na verdade, por causa da palatabilidade, o animal acaba tendo mais apetite, querendo experimentar mais daquele alimento”, explica a veterinária Andressa Guimarães. Outro ponto positivo é que as rações úmidas e semiúmidas têm menos aditivos e mais água. O que beneficia o sistema renal do bicho.

Albert, cachorro da bióloga Larieni Araújo, alimenta-se apenas de ração na forma de enriquecimento ambiental. Essa prática é feita com bolinhas que eles precisam mexer até que a ração saia ou por minicircuitos de treinamento em casa. A longo prazo, estimula o desenvolvimento mental e intelectual dos cães, como a memória e o raciocínio.

Ela conta que o cachorro, da raça welsh corgi pembroke, consome a ração Guabi natural por não contar com transgênicos, corantes, aromatizantes e ter uma quantidade de proteína balanceada. “Desde então, ele come bem melhor e gosta do que come. Ele gosta muito de comer Pet Delícia, que é uma comida natural enlatada, e as almôndegas da Original BARF”, diz a bióloga.

Para sair um pouco da rotina de oferecer apenas ração para ele, Larieni investe em petiscos saudáveis, feitos por ela mesma ou por empresas que se preocupam com a qualidade do produto.

Muito além da alimentação industrial

Sharpay foi introduzida à alimentação natural durante a quarentena: picolé de fruta para refrescar
Sharpay foi introduzida à alimentação natural durante a quarentena: picolé de fruta para refrescar (foto: Arquivo pessoal)

A veterinária Paola Pereira apresenta mais uma opção para a alimentação dos pets: a natural — que tem como base verduras, legumes e carnes (bovina, frango) e suplementos. “Ela é elaborada, de acordo com as necessidades de cada animal, por um nutricionista veterinário. E tende a ter menor fermentação, mais umidade e ótima digestibilidade”, explica Paola.

A empresária Dayse Silva, 47, começou a produzir marmitas para alimentação natural para cães e gatos no início da pandemia. Ela se interessou por essa nova dieta após a recomendação da veterinária de Sharpay, sua pet. Investiu em um curso de alimentação natural para cães e diz que, logo no início da dieta, foi possível notar a melhora do pelo e da disposição da cadela.

Pela mesma razão, decidiu abrir seu próprio negócio de comidas para pets, a Petlicious. Ela e as duas filhas montam marmitas variadas para cada dia da semana, com proteínas, carboidratos, vegetais e complexo vitamínico. As quantidades variam de acordo com a necessidade do animal.

Todos os cães e gatos podem ser adaptados para a dieta natural, feita em casa, sob supervisão de um profissional, ou encomendada em estabelecimentos especializados. No geral, eles estão liberados para comer os mesmas alimentos que os humanos. Mas nozes, castanhas, leite, pão, uvas, abacate e café devem ser evitados, pois causam dores de barriga, mal-estar e vômitos nos animais.

De olho no rótulo

Apesar de sempre ser visto nas rações os termos premium, superpremium, standart ou gourmet, o dono deve ficar atento às nomenclaturas. São termos criados pela indústria para dar um diferencial no produto e, muitas vezes, podem não ser tão benéficos assim.

Além de opções de alimentação natural ou apenas ração, é possível testar comidinhas com texturas e consistências diferentes — como o formato de picolé para dias de calor — com orientação de um médico veterinário. Andressa Guimarães recomenda, principalmente, para pets que são mais caprichosos na hora de se alimentarem.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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