Neurônios em dia

Rappers têm falado cada vez mais sobre saúde mental

Análise das letras das 125 músicas americanas mais populares de rap, entre 1998 e 2018, mostrou que houve um significativo aumento da abordagem de temas relacionados à saúde mental

Correio Braziliense
postado em 06/01/2021 18:41
 (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

“Aí, maloqueiro / levanta essa cabeça / enxuga essas lágrimas, sério / respira fundo e volta pro ringue / você vai sair dessa prisão / você vai atrás desse diploma / com a fúria da beleza do sol, entendeu / faz isso por nós / faz essa por nós / te vejo no pódio”. (Trecho de encerramento de AmarElo – Emicida)

Artistas de rap são celebridades fortemente reconhecidas pelo público jovem, não só nos EUA, mas em inúmeros outros países. Uma análise qualitativa das letras das 125 músicas americanas mais populares desse estilo, entre os anos de 1998 e 2018, mostrou que houve um significativo aumento da abordagem de temas relacionados à saúde mental: suicídio de 0% para 12%, depressão de 16% para 32% e metáforas relacionadas à saúde mental de 8% para 44%. Nesse mesmo período, houve um drástico aumento na prevalência de transtornos mentais entre os jovens americanos.

O estudo acaba de ser publicado pelo periódico JAMA Pediatrics. Novas pesquisas são necessárias para examinar os efeitos negativos e positivos desse aumento substancial nas mensagens que abordam a saúde mental. Pode ser positivo, pois tem o potencial de reduzir o estigma dos transtornos mentais e aumentar a busca por tratamento. Ansiedade, por exemplo, afeta 30% dos adolescentes, mas 80% deles nunca procuram assistência médica ou psicológica. Apenas 50% dos adolescentes com depressão são diagnosticados antes de atingirem a idade adulta.

Enquanto isso, na pandemia… Nos EUA, sintomas de ansiedade triplicaram, quando comparado ao ano de 2019, e sintomas depressivos quadruplicaram. A mudança é bem maior à encontrada após o atentado terrorista de 11 de setembro ou ao furacão Katrina. E os jovens são especialmente vulneráveis. Cerca de 63% dos americanos com idades entre 18 e 24 anos demostram, neste período de pandemia, transtornos de ansiedade ou depressão, 25% relatam que bebem e fumam mais devido ao estresse associado à pandemia e que já consideraram “seriamente” a possibilidade de cometer suicídio.


*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e diretor clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

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