Beleza

Como antigamente: um jeito econômico e sustentável de depilar

Em busca de economia e, principalmente, preservação do meio ambiente, consumidores têm aderido ao uso de barbeadores antigos de metal, que permitem a troca da lâmina

Renata Rusky
postado em 28/03/2021 08:00
Adepta de uma vida sustentável, Hellen Mayumi passou a usar a safety razor
 -  (crédito: Arquivo pessoal)
Adepta de uma vida sustentável, Hellen Mayumi passou a usar a safety razor - (crédito: Arquivo pessoal)

As melhores lâminas, compradas em farmácias e mercados, podem pesar no bolso. Em especial, por terem que ser trocadas com frequência. O caráter descartável delas pesa, também, no meio ambiente. A mistura de materiais — plástico, borracha e os metais da lâmina — dificulta a reciclagem e torna esse processo pouquíssimo rentável. Há, no entanto, solução para o problema financeiro e ecológico.

As alternativas seriam as navalhas — usadas por barbeadores profissionais e que exigem habilidade —, os barbeadores elétricos — que exigem um investimento maior e cujo efeito sem pelos dura menos tempo — e os barbeadores antigos (chamados de safety razor) — aqueles usados pelos nossos avós, todo de metal, e que permitem a troca da lâmina de barbear. E, claro, as opções podem ser usadas também pelas mulheres.

Mais parecido com os aparelhos descartáveis, o safety razor é prático e mais barato, já que dura anos e só é necessário trocar as lâminas, que têm um preço bem mais acessível. Algumas marcas, como a alemã Mühle, transformaram a peça em um artigo de luxo, com vários modelos e designs. Já a brasileira Mundial, por exemplo, vende um modelo básico, tradicional e que garante o serviço.

O barbeador Allan Tavares Batista explica que não é tão fácil encontrar tais barbeadores para comprar. A solução é recorrer ao mercado on-line. Quanto ao uso, ele explica que exige uma certa adaptação. Apesar de bem mais prático e seguro que uma navalha e de ser parecido com os descartáveis, ele orienta muita atenção nas primeiras vezes e revela um truque: “Eu deixo a lâmina um pouco mais folgada para ter um espaço para o pelo entrar”, ensina.

Quanto ao efeito na pele, ele explica que pode variar tanto de acordo com o tipo de pele quanto com a habilidade de quem barbeia. Uma mão leve é importante, mas não impede irritação em peles mais sensíveis. Ele só orienta a não ceder à tentação de passar a lâmina na pele seca. “A pele deve estar sempre com um creme, com um pouco de água. No salão, a gente usa uma toalha quente para abrir os poros, passa um creme e, depois, o creme de barbear”, detalha.

Na prática

A empresária Hellen Mayumi, 32, é dona da Viva Lumni, que usa resíduos têxteis industriais na produção de soluções ecológicas, como ecobags, sacos para compras a granel, pads de algodão para remover maquiagem e absorventes de pano, todos reutilizáveis. O negócio se mistura com a vida pessoal dela, já que começou fazendo os produtos para ela, com o objetivo de viver uma vida com menos lixo.

Tudo começou com uma ecobag que ganhou da mãe com as palavras “consumo consciente”. A bolsa ficou perdida no meio das coisas de Hellen, mas, um dia, ela a encontrou e resolveu pesquisar sobre o que se tratava aquilo. “É muito importante entender que o consumo consciente é mais que separar o lixo, mas consumir pensando no potencial que aqueles produtos têm de ser reciclados. No caso dos barbeadores, mesmo aqueles que só trocam a cabecinha, cada vez que compramos um refil, vem uma nova embalagem, ainda está gerando lixo”, exemplifica.

Na procura por produtos alternativos, descobriu o barbeador antigo, mas não achava para comprar. Acabou encontrando, por acaso, em um armarinho e começou a usar. “No início é um pouco difícil, porque ele corta bem mais”, alerta, mas garante que qualquer um se acostuma. Depois da experiência, ela ainda encontrou um outro modelo, mais bem-acabado e mais fácil de usar.

O benefício para o meio ambiente e a economia foi dobrado, porque o marido dela também passou a adotá-lo. “No começo, ele penou um pouco, às vezes se cortava. Mas isso também acontecia com os barbeadores descartáveis”, conta. O novo modelo facilitou bem. “Ele tem várias regulagens: se a barba está maior, deixa mais aberto e pode ir regulando”, conta.

O casal compra apenas as lâminas, que podem ser usadas dos dois lados. E, quando ambos os lados estão desgastados, colocam em um pote de vidro para descartar apenas quando estiver cheio. “Assim, não tem perigo de machucar o profissional que pegar e é destinado à coleta seletiva, porque o inox, sim, é reciclável”, recomenda.

 

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