Fitness & nutrição

Voltar ou não para a academia?

A hora de escolher entre retornar ou não para as atividades físicas presenciais ainda deixa muitas pessoas na dúvida. Saiba quais são os prós e os contras

A vontade de mudar os próprios hábitos e investir na saúde e na qualidade de vida esteve presente na maioria das pessoas nos últimos meses. Por estarmos mais tempo em casa, podemos ter mais contato com nossas próprias necessidades e aspectos que possam ser melhorados, sejam eles estéticos ou ligados à saúde física e mental. No entanto, para alguns, ainda é difícil conciliar o desejo de começar o “projeto verão” com o medo de contrair a covid-19.

Com a ajuda das medidas de isolamento, as academias reabriram, mas muita gente ainda enfrenta o dilema de voltar ou não aos queridos, ou, por vezes, nem tanto, aparelhos de ginástica. Já outras pessoas seguem firmes na decisão de manterem a vida fitness sem precisar sair de casa.

“Minha rotina de treinos na quarentena tem sido bem desafiadora, pois desde que as atividades não essenciais foram fechadas, tenho treinado em casa. Sempre tive muita dificuldade com exercícios físicos e fazer em casa, sem estrutura e sem um horário ou alguém no meu pé orientando e falando para não desistir, é bem difícil”, relata a advogada Cecília Olivieri, que não se sente à vontade para retornar às atividades presenciais.

Arquivo Pessoal - Cecília Olivieri prefere fazer exercícios na varanda do apartamento

Mesmo preocupada com o seu desempenho sozinha, ela não desanimou. Com a ajuda do professor que a auxiliava no período pré-pandemia, Cecília passou a treinar na própria varanda do apartamento, com alguns equipamentos básicos que comprou. “O professor me conhece e manda semanalmente os treinos de acordo com o que possuo em casa. Tenho também um grupo com minhas amigas do crossfit e nós nos falamos todos os dias, mandamos fotos dos treinos e incentivamos uma à outra. Quando estamos desmotivadas, a gente desabafa e as outras sempre têm uma palavra de conforto”, conta.

Personal on-line

O professor de Cecília é o educador físico Felipe Ferreira, que também precisou se reinventar para conseguir continuar ajudando os seus alunos, mesmo de longe. Ele passou a utilizar as redes sociais, como o Instagram (@trainedbyfelipinho) e o WhatsApp, para dar dicas e acompanhar os atletas, estimulando-os a seguirem com os treinos personalizados.

Por intermédio da câmera de um celular, e da força de vontade de quem está do outro lado, os resultados alcançados podem ser os mesmos de quem frequenta uma academia, ou até melhores. “Na consultoria on-line, passei a montar treinos apenas com peso corporal ou com ‘equipamentos’ que os alunos tivessem em casa, como mochila e saco de arroz, por exemplo”, explica Felipe.

“Quem treina em casa tende a desanimar um pouco, mas sempre mantenho contato quase diário para que isso não aconteça. Eles estão tendo ótimos resultados e esse foi um dos motivos de não voltarem para academia, pois chegaram a melhorar mais em relação a quando estavam treinando sem acompanhamento individual”.

Número reduzido

Antes da pandemia, Felipe comandava turmas com cerca de 20 alunos no crossfit, modalidade praticada em academias ou centros de treinamento, que combina vários tipos de exercícios. Hoje, esse número foi reduzido para 10, com distanciamento delimitado e higienização rigorosa na troca de equipamentos. “Em centros de treinamento como no Cross, os ambientes geralmente são mais arejados e os equipamentos individuais dão uma maior segurança para a pessoa que estiver com medo de retornar ou iniciar a atividade”, pontua.

Com o último lockdown, a insegurança dos alunos aumentou ainda mais. “Após esse fechamento de uma semana e, logo depois, reabertura, o comparecimento dos alunos durante a semana caiu cerca 30%. Alguns que estavam em data de renovação também preferiram ficar em compasso de espera, muito por conta da incerteza sobre se a academia ia ficar aberta ou se fechava, além do medo do vírus”, comenta o personal trainer.

No centro de treinamento comandado por Felipe, as medidas de segurança e higiene foram ainda mais reforçadas após o aumento do número de casos de covid-19 no DF. “Desde o início, estamos seguindo os protocolos, com álcool em gel na entrada, na saída e na área de treinos dos alunos. Cada um recebe uma toalhinha com álcool 70% no início da aula para higienização dos seus equipamentos, durante e após o treino. Os alunos entram de máscara e treinam, sempre reforçamos isso durante as aulas”, explica o educador físico.

“Cada aluno fica com dois metros de distância frontal e cerca de três a quatro metros de distância lateral, todos com equipamentos individuais”, completa.

Necessidade

Enquanto uns preferem não sair de casa, outros se viram motivados a começar a frequentar a academia agora, mesmo com todos os obstáculos impostos pela pandemia. Priscylla Oliveira, 25, conta que antes não encontrava tempo para se exercitar, mas, com o home office e a consequente redução de sua carga horária no trabalho, finalmente pôde dar início a atividades que a tirassem do sedentarismo. “Trabalho 10h por dia e passo muito tempo sentada, o máximo de movimentação que eu tinha era subir uma escada, e quase morrendo (risos). Quando reduziram minha carga horária na empresa, passei a ter mais tempo e a proposta da academia fez com que eu me matriculasse”, diz.

“É um estúdio de exercícios funcionais, o espaço é arejado com grandes janelas e cada sessão tem no máximo cinco pessoas. É obrigatório o uso de máscara, utilizar o tapete sanitizante e o espaço, por ser grande e com poucos alunos, cumpre o distanciamento. Os aparelhos usados também são todos higienizados com álcool”, completa Priscylla, que treina com duas amigas.

A estudante Emilly Vieira, 21, também começou a frequentar a academia recentemente, em dezembro do ano passado. Para ela, fazer exercícios físicos em casa é uma tarefa quase impossível: “Eu sei que dá para fazer atividade física em casa, mas eu não tenho disciplina. Respeito muito quem escolheu não voltar ainda e que está com medo, consigo compreender perfeitamente. Mas, quanto a mim, vejo que ir para a academia tem feito muito bem para a minha saúde física e, sobretudo, para minha saúde mental”, conta ela, que percebeu melhora significativa no sono e na produtividade ao longo do dia.

Arquivo Pessoal - Emilly Vieira conta que não consegue fazer exercícios em casa e, por isso, optou por voltar para a academia

Emilly relata ainda que é muito cuidadosa e tem tomado todas as medidas de higiene e segurança recomendadas pelos médicos e pela própria academia. “Toda vez antes de usar alguma máquina eu desinfeto ela todinha e quando termino também. O meu namorado até brinca comigo, porque parece até que eu estou limpando a casa”, comenta. “É um dilema, porque a gente está em um contexto pandêmico e, ao mesmo tempo que temos que tomar mais cuidado e evitar sair, também temos que cuidar da nossa saúde física e mental”.

Médico infectologista, dr. Marcelo Daher destaca que pessoas com fatores de risco, como diabéticos e hipertensos, devem continuar evitando as academias, pelo menos por enquanto, assim como as pessoas com mais de 60 anos. O motivo é que, devido à transpiração e à respiração ofegante, ambientes fechados costumam oferecer maior risco de contágio. “O problema da academia é que as pessoas suam e ficam ofegantes, então há mais necessidade de troca de oxigênio. O ideal é sempre manter o distanciamento e verificar se há uma boa circulação de ar no ambiente”, explica.

O profissional alerta ainda para a importância das máscaras de proteção facial e recomenda: “Quanto mais aberta for a academia, melhor”, completa.

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira


Arquivo Pessoal - Cecília Olivieri prefere fazer exercícios na varanda do apartamento
Arquivo Pessoal - Emilly Vieira conta que não consegue fazer exercícios em casa e, por isso, optou por voltar para a academia