Fitness & nutrição

Dicas simples para manter a boa circulação do corpo

Exercício físico e boa alimentação podem fazer muito pelo fluxo sanguíneo, que garante nutrientes para o corpo todo

Giovanna Fischborn
postado em 11/07/2021 08:00
Thais Lanutti segue uma rotina de exercícios e boa alimentação para manter a saúde circulatória -  (crédito: Arquivo pessoal)
Thais Lanutti segue uma rotina de exercícios e boa alimentação para manter a saúde circulatória - (crédito: Arquivo pessoal)

O sangue sai do coração e vai para o corpo inteiro, levando oxigênio e nutrientes. Depois, faz o caminho de volta. Esse processo é fundamental para a saúde. O sangue precisa estar líquido e circulando nos tubos. Para isso, artérias e veias não podem estar entupidas. Ficar muito tempo na mesma posição e levar uma vida sedentária são fatores de risco para disfunções na circulação sanguínea, porque favorecem esse entupimento. A boa notícia é que dá para reverter ou suavizar o problema, dependendo do caso.

O médico angiologista Antônio Carlos de Souza explica que o combo atividade física e qualidade nutricional ajuda a não formar coágulos, que bloqueiam o fluxo do sangue nas veias, podendo se movimentar na corrente sanguínea em um processo de embolia.

O especialista alerta, inclusive, para o aumento de casos de trombose venosa profunda, que é uma complicação séria da má circulação venosa, entre pessoas que tiveram covid-19. “Estamos percebendo que o vírus tem levado a uma trombose bem específica, chamada imunotrombose, que pode ser fatal.” A imobilidade em tempos de isolamento é outro fator que faz aumentar os casos de trombose.

As varizes também estão ligadas à circulação venosa comprometida. Comum em metade das mulheres, o aparecimento dos vasinhos roxos está associado à herança genética, a ficar muito tempo em pé, à inatividade física e ao sobrepeso.

Os fatores de risco e causas de problemas circulatórios reforçam a necessidade de se adotar um estilo de vida saudável. “Quanto maior for a capacidade cardiorrespiratória e a aptidão física, melhor para a circulação e, claro, para a longevidade”, afirma o especialista em treino de força Luiz Schmit. Exercitar-se tem tudo a ver com saúde vascular.

Luiz pontua que ficar sentado por mais de uma hora pode comprometer a saúde das veias dos membros inferiores. E não é difícil extrapolar esse tempo quando se está trabalhando ou estudando em casa, não é? Levante, vá buscar um copo de água, caminhe por alguns instantes. Outra opção é realizar o movimento de se levantar e, depois, sentar de volta na cadeira.

Passar muito tempo em pé não necessariamente ajuda o fluxo sanguíneo. Nesse caso, é importante deitar por alguns minutos ou ficar em posição que deixe as pernas para cima.

É preciso também contrair os músculos para garantir o controle venoso. “A panturrilha é como se fosse um segundo coração. Estimular os músculos da região ajuda a levar o sangue para cima, facilitando a circulação.” É interessante fazer o movimento de subida com a ponta dos pés, apoiado em uma parede ou cadeira, focando na panturrilha.

Treinos duas ou três vezes na semana — ou dividido de modo a atingir os 150 minutos semanais estipulados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) — é considerado o ideal. Caminhadas também ajudam. A musculação e o treinamento de força são considerados pelo especialista atividades-chave: auxiliam na capacidade arterial, respiratória e na amplitude física.

Thais Lanutti, 37 anos, economiária, procurou um médico angiologista quando tinha 30 anos, por causa das varizes que a incomodavam esteticamente. O que, de início, não aparentava ser nada sério se revelou um perigo quando ela foi fazer mais exames. Thais conta que tinha um refluxo na perna esquerda. “O sangue não voltava como deveria, ficava travado na panturrilha.”

Ela passou por uma cirurgia para retirar a veia safena, tratamento indicado para quando o vaso está muito dilatado e com excesso de refluxo. Depois, pôde perceber que o procedimento ajudou a combater a fadiga, proporcionou mais mobilidade e diminuiu consideravelmente o inchaço local. “No geral, sinto que muitos acabam fechando os olhos para problemas do tipo, o que pode culminar em um perigo silencioso”, pondera.

Diante do histórico que carrega: problemas de circulação que vêm da avó materna, experiência ruim que teve com o uso de anticoncepcional por um ano, que estourou alguns vasos, e sintomas de má circulação, Thais precisa manter os bons hábitos. A economiária considera que o tratamento está em fase de manutenção. Aliado a ele, segue as orientações de prática de exercício físico, nem que seja uma caminhadinha, e alimentação equilibrada.

Outras estratégias são importantes no dia a dia. Thais usa meia de compressão pelo menos três vezes na semana para evitar o inchaço e o cansaço nas pernas. Para ela, é importantíssimo que os calçados tenham um pouco de salto. Além disso, seguiu a recomendação médica de abolir o uso de chinelo.

Cuidados desde sempre

Cláudia Beatriz Santos, 57 anos, nasceu com um problema congênito de má vascularização, precisando passar por uma operação ainda quando criança. Desde a infância, sentia incômodos no dia a dia, entre eles, muitas dores nas pernas.

Hoje, professora de educação física, Cláudia é a prova de que os cuidados com a circulação não precisam impedir alguém de se movimentar — pelo contrário. Ela opta por atividades que não pesem os membros inferiores. Gosta de caminhadas, natação e hidroginástica.

A professora também faz uso das meias de compressão. E, na hora de se deitar, usa a tática de deixar as pernas mais elevadas que a cabeça. “O ideal é manter a cabeceira mais baixa que o fim da cama, onde estão os pés. Coloco algumas almofadas para compensar e elevar as pernas. Isso já ajuda”, conta. Em voos muito longos, justamente pela limitação dos movimentos e pelo ambiente, precisa optar pelo anticoagulante para evitar trombose ou algo parecido.

A circulação arterial

Na circulação venosa, a trombose é a grande preocupação. No caso da circulação do sangue nas artérias, há o infarto, no coração, e o acidente vascular cerebral, que acontece no cérebro. São as maiores causas de mortalidade no mundo.

O angiologista Antônio Carlos de Souza explica que um estilo de vida saudável, nesse caso, também ajuda a eliminar os fatores de risco, como o colesterol alto, o sedentarismo, o tabagismo, a hipertensão. Também, nesse caso, não é preciso esperar uma disfunção circulatória aparecer para anunciar uma doença mais séria. A prevenção é a melhor escolha.

Para pôr em prática

Não passe mais de uma hora sentado. Quando possível, levante, beba água e ande um pouco.
Faça o exercício de subir na ponta dos pés, focando no músculo da panturrilha. Faça apoiado em uma parede, cadeira ou móvel.
Caminhe! Além de ajudar no controle de peso, é um exercício fácil que garante saúde.
Faça atividade física, no mínimo, 150 minutos por semana.

Alimentação: qualidade e diversidade

Para melhorar a circulação, uma boa pedida é reduzir a quantidade de alimento, mas apostar em qualidade e diversidade nutricional, como sugere o angiologista Antônio Carlos de Souza. “A restrição vem no sentido de eliminar gorduras saturadas, que são, em maioria, de origem animal e açúcares, inclusive carboidratos.

Se as gorduras que ficam sólidas em temperatura ambiente preocupam, o azeite de oliva é considerado bom para ajudar a circulação. E, apesar de não ser um problema de retenção, beber água também ajuda o sangue a circular melhor.

É preciso entender que não há comprovação de que dietas radicais mudem o quadro de doenças circulatórias, como explica o especialista. A mudança de hábito é gradual e vale a pena. “É preciso fechar a conta: reverter os fatores de risco e apostar em uma alimentação balanceada”, explica. 

 

Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação