Fitness & nutrição

Descubra os alimentos conhecidos como "superpoderosos"

Comumente associados ao rótulo de "milagrosos", os superalimentos são ricos em nutrientes, mas devem ser consumidos com precaução. Saiba como ter uma nutrição potencializada

Raquel Ribeiro*
postado em 18/07/2021 10:00
 (crédito: Reprodução/Cozinha Técnica)
(crédito: Reprodução/Cozinha Técnica)

O cultivo de hábitos saudáveis, assim como o consumo de alimentos ricos em nutrientes está em alta. Cada vez mais pessoas estão preocupadas com as propriedades nutricionais, com o preparo e com a origem dos alimentos. Na pandemia, o consumo de alimentos orgânicos experimentou um boom. De acordo com uma pesquisa feita pela Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis) houve um aumento de 44,5% no consumo de orgânicos durante os sete primeiros meses da pandemia de covid-19.

Diante do iminente risco à saúde ocasionado pelo coronavírus, a busca por reforçar a defesa imunológica do organismo se intensificou. Segundo estudo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), 36% dos consumidores passaram a inserir alimentos e bebidas que consideram ser benéficos para o sistema imunológico.

A nutricionista clínica e funcional Mariana Roriz concorda que a pandemia gerou uma mudança de comportamento da população em relação à alimentação. “A busca por alimentos e receitas saudáveis vem crescendo constantemente. O aumento da imunidade é um dos motivos para se seguir uma boa alimentação durante a pandemia. Hoje em dia as pessoas estão tomando consciência de como uma boa alimentação faz diferença no momento em que estamos doentes”, diz.

O que são superalimentos?

Na onda das tendências da nutrição que prometem resultados positivos para a saúde, estão os superalimentos, também chamados de “comidas poderosas”. “São alimentos conhecidos por terem compostos bioativos e nutrientes que, além de nutrir o organismo, conseguem trazer alguns benefícios, como o controle da pressão arterial, melhora da nossa capacidade antioxidante, auxílio na regulação do intestino, saciedade e prevenção de algumas doenças”, define a nutricionista clínica e funcional, mestre e doutora em Nutrição Humana pela Universidade de Brasília (UnB) Cainara Lins.

Contudo, a especialista salienta que a definição esbarra na de alimentos com propriedades funcionais, conceituados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como “alimentos ou ingredientes que produzem efeitos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais básicas”. Para ela, esse termo surgiu de forma não intencional graças à necessidade humana de encontrar a cura para todos os males. “É uma tendência humana natural procurar algo que solucionará todos os problemas ou ser o tratamento salvador de todos. Vejo esse termo como uma analogia direta aos super-heróis”.

A nutricionista clínica e domiciliar Ana Gabriela Vasconcelos enxerga essa terminologia como uma “jogada de marketing para que o produto seja mais vendido”. “Nenhum alimento tem um superpoder. Na ciência, o que é comprovado são os alimentos funcionais, que além das propriedades nutricionais, possuem outros benefícios. Por isso, eu prefiro utilizar o termo alimentos funcionais no lugar de superalimentos”, pondera.


Controvérsias e perigos

Devido ao status “milagroso” que os superalimentos recebem, a ciência tece críticas em torno dessa denominação. “O termo não é reconhecido e é criticado por remeter a uma ideia reducionista de que um único alimento seria capaz de auxiliar o paciente. O que mais existem são pessoas que em busca de algum alimento ou tratamento ‘milagroso’ acabam esquecendo que sem o básico, isto é, alimentação adequada, atividade física e saúde mental, nada funcionará”, adverte a nutricionista Cainara Lins.

Além disso, os superalimentos também podem trazer perigos para a saúde, se consumidos de forma indiscriminada e sem orientação profissional. Cainara Lins elenca alguns deles: “consumir um excesso de fibras sem a ingestão adequada de água, pois isso pode ‘travar’ ainda mais o intestino de pacientes com constipação, além do uso de chás sem orientação, que podem ter interação com medicamentos ou até mesmo causarem reações alérgicas como no caso do própolis”.

Por isso, ela chama a atenção para a importância do acompanhamento nutricional: “até mesmo alimentos que parecem ser ‘inofensivos ou naturais’ — do ponto de vista leigo —, devem ter uma adequada orientação sobre a forma de preparo, consumo e dosagem diária”.


Hábitos saudáveis

Na visão da nutricionista Ana Gabriela, o maior problema dos superalimentos é que eles podem reforçar a crença de que basta consumi-los para que os problemas de saúde sejam sanados. “A gente precisa ter um conjunto de hábitos saudáveis para obter todos os benefícios, como o emagrecimento, por exemplo. Além da alimentação, precisa beber água, dormir bem, fazer atividade física. É esse conjunto de fatores que vão garantir uma vida saudável. Nenhum superalimento vai fazer isso sozinho”.

Ela acrescenta que apostar em um cardápio variado é mais garantia de qualidade de vida do que se ater aos chamados superalimentos. “Vale muito mais a pena variar na alimentação, porque aí fornece uma variedade de nutrientes para o corpo. É melhor consumir vários tipos de alimentos, pois cada um vai ter uma quantidade de nutrientes”.

Para potencializar as chances de sentir benefícios com o uso desses alimentos, Cainara Lins orienta que tanto a alimentação, quanto o estilo de vida saudável estejam ajustados. “Com consumo regular e quantidades controladas, as chances de alimentos com propriedades funcionais auxiliarem no tratamento são muito maiores. Assim, mais do que nunca, é fundamental a pessoa ter acompanhamento e seguir um planejamento alimentar”.


Superalimentos e suas propriedades nutricionais

Suco de beterraba — por sua ação vasodilatadora auxilia na redução da pressão arterial e na performance física. Também possui efeitos antioxidantes e contribui para o aumento do fluxo cerebral em idosos, podendo auxiliar na capacidade cognitiva.

Suco de beterraba
Suco de beterraba (foto: Reprodução)


Spirulina — possui conteúdo significativo de aminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, carotenoides, minerais e ácidos graxos essenciais. Seu consumo beneficia a saúde em geral e melhora o desempenho físico e mental.

Spirulina
Spirulina (foto: Reprodução/ iStock)

Cúrcuma — possui altas concentrações de curcuminoides, que são fitoquímicos com potente ação anti-inflamatória. Assim, pode ser utilizada para auxiliar na recuperação de infecções respiratórias, recuperação muscular após exercícios físicos, proteção neuronal, controle de dislipidemias e de processos inflamatórios em geral no organismo.

Cúrcuma
Cúrcuma (foto: Reprodução/Brasil Escola)

Frutas vermelhas (berries) — possuem polifenóis, que ajudam a reduzir a oxidação celular descontrolada, minimizam o estresse e ajudam no controle da ansiedade. Auxiliam na imunidade e estimulam a capacidade antioxidante natural do organismo.

Frutas vermelhas
Frutas vermelhas (foto: Reprodução/Revista Abrale)

Alho negro — por ser rico em antioxidantes, fortalece a imunidade, previne e ameniza os sintomas de diabetes, melhora a pressão alta e o colesterol. Além disso, possui efeito neuroprotetor, hepatoprotetor e anticancerígenos.

Maca peruana — possui vitaminas e minerais, carboidratos, proteínas, fibras e fitonutrientes como o macamindes, macaína e os glicosinolatos (substâncias encontradas nas brássicas, como couve, repolho, brócolis). É uma raiz com importante efeito antioxidante e desintoxicante. Como é rica em vitaminas do complexo B, pode ser utilizada para reduzir a fadiga e aumentar a concentração, melhorar a saúde óssea e promover proteção cerebral em pessoas saudáveis.

Maca Peruana
Maca Peruana (foto: Reprodução/Família Avôvó)

Própolis — dependendo do tipo (verde, vermelho ou marrom), possui diferentes concentrações dos compostos. Possui atividade antimicrobiana, antioxidante, cicatrizante, efeitos antitumorais e ação imunomoduladora.

Própolis
Própolis (foto: Reprodução/Shutterstock)


Chia — suas sementes são uma incrível fonte de antioxidantes e de ômega-3, além de outros tipos de ácidos graxos, fibras alimentares, proteínas, vitaminas e minerais incontáveis.

Chia
Chia (foto: Reprodução/Da Magrinha)

*Fontes: www.myoceandrop.com.br Cainara Lins, mestre e doutora em Nutrição Humana pela Universidade de Brasília


O alho negro

Um alimento rico em nutrientes e benefícios para a saúde é o alho negro. Contudo, ele é pouco conhecido em razão do processo de produção, que o torna de difícil acesso e valor elevado. “Alguns estudos já observaram que o alho negro contribui para o aumento da atividade antioxidante, que ajuda a fortalecer a imunidade, proteger a saúde cardiovascular e combater o envelhecimento precoce”, aponta a nutricionista clínica e funcional Mariana Roriz.

Além das inúmeras propriedades para a saúde, o alho negro possui um sabor diferente, e por isso, é bem requisitado na culinária. “O alho negro é um produto totalmente diferente, com sabor levemente adocicado e um toque amadeirado, devido à fermentação. Além disso, não apresenta a pungência, característica do alho in natura”, descreve Mariana.

Quem se encantou pelo alho negro pelo sabor foi a estudante de gastronomia, Fernanda Soares, 24. “Eu não sabia de nenhuma propriedade específica. Sei que alho, em geral, tem muitas propriedades boas, antibacterianas, então imaginei que esse também teria. Mas eu me interessei mais pelo gosto diferenciado que ele dá aos pratos, tinha muita curiosidade em provar”, conta.

A maior dificuldade que ela encontra para continuar usufruindo do alimento é a falta de acessibilidade, além do alto custo. Por isso, ela procura usar o ingrediente com parcimônia na hora de preparar as receitas. “Comprei 200g há uns dois meses e uso bem de vez em quando, para durar mais. O bom é que ele se conserva por muito tempo guardado, muito mais que o alho cru. Dá para adicionar em muitas receitas, é só picar e misturar”.

Dicas de receitas


Aiolí de alho negro (gema, alho negro, sal e azeite);
Bruschetta (picar o alho negro junto com o tomate e parma);
Suflê de alho negro (queijo gruyère, cebola, leite, alho negro, ovos, farinha de trigo, manteiga e sal);
Risoto (caldo de legumes, alho-poró, shitake e alho negro);
Bacalhau e macarrão com alho negro;
Pasta de alho negro (para utilizar em torradas e pães), entre outros.

*Fonte: Mariana Roriz, nutricionista clínica e funcional

 

*Estagiária sob a supervisão de Taís Braga

 

  • Chia
    Chia Foto: Reprodução/Da Magrinha
  • Maca Peruana
    Maca Peruana Foto: Reprodução/Família Avôvó
  • Própolis
    Própolis Foto: Reprodução/Shutterstock
  • Spirulina
    Spirulina Foto: Reprodução/ iStock
  • Suco de beterraba
    Suco de beterraba Foto: Reprodução
  • Cúrcuma
    Cúrcuma Foto: Reprodução/Brasil Escola
  • Frutas vermelhas
    Frutas vermelhas Foto: Reprodução/Revista Abrale
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