Beleza

A libertação dos fios: você está pronta para mudar o cabelo?

Entre as tendências da pandemia, uma delas é a busca por liberdade nos cabelos. O isolamento permitiu um pouco mais de ousadia

Ailim Cabral
postado em 05/09/2021 08:00
Lívia Miguel sempre teve cabelos longos. Durante a quarentena, cortou os próprios fios. Quando se sentiu segura, buscou a ajuda de uma profissional e investiu no pixie cut. Há três semanas, a economista raspou a cabeça com máquina zero -  (crédito: Arquivo pessoal)
Lívia Miguel sempre teve cabelos longos. Durante a quarentena, cortou os próprios fios. Quando se sentiu segura, buscou a ajuda de uma profissional e investiu no pixie cut. Há três semanas, a economista raspou a cabeça com máquina zero - (crédito: Arquivo pessoal)

No início da pandemia, quando se sabia muito pouco sobre a propagação do vírus e com os salões de beleza fechados, muitas pessoas deixaram os fios crescerem livremente. Com o avanço da vacinação e a adaptação dos cabeleireiros aos protocolos de segurança, muitos que estavam reclusos voltaram a cuidar dos cabelos e marcaram horários com os hair stylists de confiança.

Com o retorno gradual à “normalidade” possível, os fios curtos, coloridos e raspados estão com tudo. A praticidade de lavar e de poder manter o corte sem sair de casa por mais tempo faz parte da decisão, mas a libertação tem sido o maior motivador. A visagista Caíssa Frota percebeu muitos clientes aproveitando o isolamento e o home office para realizar sonhos ousados.

Caíssa comenta que, entre os aventureiros, observou duas tendências. Alguns resolveram fazer mudanças motivados pela inconstância da vida e pelo fato de que ela pode acabar a qualquer momento — sentimento com o qual fomos confrontados na pandemia. Outros resolveram aproveitar o isolamento para o caso de não ficarem satisfeitos com o resultado. “Se eu não gostar, tudo bem. Estou em casa mesmo”, foi uma frase muito ouvida por profissionais de beleza no último ano.

“Mas o que ficou marcado mesmo é esse desejo de fazer o que quer, sem deixar para depois e se preocupando menos com a opinião alheia. Estar preso em casa fez as pessoas sonharem com a liberdade, e aproveitar qualquer tipo de liberdade que possam ter, como o controle da própria aparência”, reflete Caíssa. A visagista acredita, também, que a impossibilidade de se exibir por meio da maquiagem e das expressões faciais fez as pessoas buscaram no cabelo uma maneira de mostrar suas personalidades.

Exclusividade e segurança

Mesmo antes da pandemia, os atendimentos do hair stylist Rangel Portela eram exclusivos, com apenas um cliente por vez, o que se mostrou a melhor alternativa para não precisar parar de trabalhar e não colocar as pessoas em riscos desnecessários. “No começo, eu estava muito preocupado, fiquei quatro meses sem atender por medo”, revela.

Desde os últimos meses de 2020, Rangel percebeu que, conforme a vacinação dos mais jovens avança, sua clientela também vai voltando. Ele já recebeu até mensagens de clientes que estão somente esperando a segunda dose da vacina para marcar um horário. “Tem vindo muita gente que não faz nada há anos e, com todo o abalo emocional vivido com a pandemia, está buscando formas de se reinventar”, comenta.

Assim como Caíssa, Rangel percebe que o desejo de viver tem incentivado as mudanças radicais. Pessoas com cabelos longos apostando no pixie cut e outras com os fios virgens de química investindo em pinturas arco-íris e platinados.

Especialista em cabelos coloridos, Rangel percebe também que as idades e as profissões de quem busca fios em cores diferentes estão se diversificando. “Quando a moda estourou, eram pessoas mais jovens. Agora que se tornou mais comum, não é só o jovem diferente e rebelde que pode usar, mas pessoas de todos os perfis”, afirma. A hair stylist acredita que muitos têm usado o cabelo para investir na própria autenticidade e liberdade, e cada vez menos se preocupam com as opiniões negativas que podem receber.

Caíssa aposta que a tendência da liberdade nos fios vai continuar e aumentar conforme as pessoas forem se aventurando mais e gostando dos resultados. Mas ela ressalta a importância de se respeitar. “Não adianta você querer cortar e pintar porque está na moda e porque os outros estão fazendo. Tem que ser sobre você, sua escolha e seu gosto”, completa.

De Rapunzel para a máquina zero

Lívia Maria de Oliveira Miguel, 26 anos, sempre teve os cabelos compridos. No máximo, chegou a cortar na altura dos ombros algumas vezes, mas os fios na cintura prevaleciam. A economista já entrou no isolamento social com os fios longos, não cortava havia quatro anos, e, depois de quase um ano sem sair de casa, estava saturada do visual. Oleosos, os fios precisavam ser lavados todos os dias e as pontas estavam ressecadas.

Cansada e isolada, em agosto de 2020, Lívia pegou uma tesoura e cortou os próprios fios em casa, na altura dos ombros. O resultado agradou e resolveu realizar um desejo antigo. “Sempre tive vontade de cortar bem curtinho, mas não tinha coragem. Não sabia se ia combinar com meu rosto ou se ia me sentir bonita. Aproveitei o isolamento para testar. Se me sentisse desconfortável, ao menos não precisaria sair de casa me sentindo feia”, brinca.

Quando as taxas de contaminação diminuíram, Lívia marcou um atendimento exclusivo com o cabeleireiro de sua confiança e investiu no pixie cut. Apaixonada pelo resultado, ela postou o novo look nas redes sociais e se surpreendeu com a quantidade de mulheres que confessou ter a mesma vontade, porém, sem coragem.

Quando viu esse retorno, Lívia percebeu o quanto a beleza da mulher está atrelada ao cabelo longo e que uma das coisas de que ela mais gostava em seus fios compridos era o fato de que os outros elogiavam. “Eu gostava, senão não teria mantido assim tanto tempo. Mas por que mesmo com a vontade de cortar eu hesitava? É uma coisa de estar no padrão, e a mulher acaba ficando apegada. Comecei a encorajar quem tinha vontade a cortar”, conta.

Lívia acrescenta que foi importante perceber que, mesmo com os fios curtos, ela poderia se sentir e ser tão bonita quanto com o cabelão. O processo de desapego foi gradual e, depois do curtinho, há cerca de três semanas, a economista raspou a cabeça. “Raspei com a máquina em casa mesmo e, se eu sentir vontade, deixo crescer de novo sem problemas. O importante é fazer o que quiser e se sentir bem, sem se preocupar tanto com os outros”, completa.

Os cortes ousados fizeram Lívia se sentir empoderada e, mesmo com algumas pessoas afirmando que ela estava “louca”, pretende continuar praticando o desapego e na sua percepção de beleza.

Famosas que aderiram às mudanças

A atriz Agatha Moreira.
A atriz Agatha Moreira. (foto: Agatha Moreira/Instagram)

Em março deste ano, a atriz Agatha Moreira, que já estava com os fios um pouco mais curtos, na altura dos ombros, aderiu ao pixie cut, bem curtinho. A estrela aproveitou a mudança para platinar os fios e surpreendeu os fãs.

A atriz Bárbara Borges.
A atriz Bárbara Borges. (foto: Bárbara Borges/Instagram)


Em abril de 2020, a atriz Bárbara Borges, dona de cachos compridos, raspou a cabeça. Em uma publicação em seu Instagram, ela falou sobre a experiência de se libertar do medo de julgamentos e críticas e de se conectar ao desapego. Desde então, ela já teve cabelo rosa, roxo e platinado. Atualmente, está com os cachos curtinhos.

A cantora e atriz Manu Gavassi
A cantora e atriz Manu Gavassi (foto: Manu Gavassi/Instagram)


A ex-BBB Manu Gavassi estava com um corte chanel platinado, teve uma fase colorida com os fios em um tom pêssego e, por fim, em maio deste ano, aderiu ao pixie cut.


  • A atriz Agatha Moreira.
    A atriz Agatha Moreira. Foto: Agatha Moreira/Instagram
  • A atriz Bárbara Borges.
    A atriz Bárbara Borges. Foto: Bárbara Borges/Instagram
  • A cantora e atriz Manu Gavassi
    A cantora e atriz Manu Gavassi Foto: Manu Gavassi/Instagram
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