Casa

Quando o quarto cresce e amadurece junto com a criança

Alguns cômodos dizem muito sobre os donos. Com as crianças, não é diferente. O quarto delas deve estar apto a se adaptar a mudanças e personalizações

Carolina Marcusse*
postado em 10/10/2021 11:00
 (crédito: Ateliê Baobá/Divulgação)
(crédito: Ateliê Baobá/Divulgação)

Espaço mais pessoal da casa, o quarto é sempre pensado para transmitir conforto e personalidade, representando aquele que o ocupa. Por isso, quando o projeto desse espaço é feito para crianças, deve-se levar em consideração as mudanças que ocorrerão com o passar dos anos, tanto relacionadas às necessidades quanto ao amadurecimento dos pequenos, que passam a ter outros gostos.

Para arquiteta e urbanista Rubiana Lemos, os projetos devem sempre levar a criança em consideração, já que será ela que fará uso daquele espaço. Muitas vezes, sem um ambiente que é pensado para ela, a criança ocupará toda a casa, causando problemas para os responsáveis, que a todo momento terão que lidar com brinquedos e objetos espalhados. Quando pequenos, devem ter um chão livre para brincar e bagunçar bastante, onde possam mudar elementos e se divertir, sem ter que levar esse momento para a sala de estar ou outro espaço mais vazio na casa.

No entanto, não são todos os quartos que dispõem de um grande espaço de brincadeiras, mas existem algumas alternativas que podem ajudar a otimizá-lo, como beliches, em que a cama fica elevada e, abaixo, há uma mesa para estudos ou recreação e armário ou gavetas. Rubiana conta que, em um projeto recente, teve que adaptar um quarto de uma criança de 12 anos para ser ocupado também pela irmã recém-nascida. Para mudar o espaço, que já era pequeno, ela inseriu um beliche feito sob medida, contendo um berço acoplado e uma mesa, para que a pré-adolescente pudesse ter um local próprio e agradável.

Atemporalidade

“Cada espaço é único”, reforça a arquiteta. No entanto, existem alguns elementos que podem ser coringas e permanecer com o tempo, como é o caso da iluminação. Sempre deve haver preferência pela iluminação natural, principalmente quando há possibilidade de posicionar e escolher janelas, mas, no caso das possibilidades restritas, é importante ter luminárias ou luzes que forneçam brilho indireto. Esse tipo de iluminação se adapta às diversas fases da vida, desde quando a criança tem medo de dormir no escuro até para a leitura antes de dormir, quando estiver mais velha. No entanto, é sempre bom ter a luz branca e direta presente para diversas funções, como o estudo e a claridade.

Móveis reforçados, fabricados de madeira de qualidade, podem durar muitos anos, sendo relativamente fáceis de cuidar. Geralmente são elementos funcionais e bonitos, que harmonizam com a maior parte dos ambientes, mas, para pessoas que gostam de ter variedade, uma alternativa é utilizar adesivos, pois existem empresas especializadas nesses serviços, que adesivam armários e estantes, trazendo mais cor e dinâmica para o espaço.

Outra peça versátil é o espelho, que pode ter vários formatos e molduras e traz um valor agregado ao quarto da criança, pois é um elemento em que os pequenos podem se observar, vendo suas mudanças. É um bom objeto para preencher espaços vagos nas paredes e dar privacidade, já que a criança não terá que se arrumar somente em banheiros ou outro local na casa que tenha espelhos, além de terem uma boa durabilidade, se estiverem encaixados na parede apropriadamente.

Preferências e individualidade

De forma geral, as crianças devem ser consultadas para atingir um resultado satisfatório em todo o projeto, desde a questão das cores ou até deixar um espaço em aberto para incentivá-las a criar. Outra opção são painéis interativos, como os pegboards, que dão liberdade para diferentes posições e encaixes, e os memory boards, grades aramadas que podem servir para colocar fotos, anotações e adicionar outras decorações por meio de pequenos pregadores ou adesivos.

O arquiteto Guilherme Bussamra, da Guel Arquitetos, afirma que a questão das cores varia muito de acordo com o projeto. A tradição de colocar a dicotomia do azul ou rosa nos quartos infantis vem mudando há alguns anos, até mesmo para criar um ambiente mais neutro, onde o destaque possa ser em outros elementos. Isso também facilita para os responsáveis, que não terão que fazer novas pinturas com frequência, de acordo com o crescimento da criança. O branco funciona na maior parte dos ambientes, mas um material muito utilizado e agradável visualmente, segundo o arquiteto, é o cimento queimado.

Outra recomendação do profissional são os papéis de parede, que podem mudar com mais facilidade que as pinturas, e oferecem diversas possibilidades, podendo, assim, levar ainda mais originalidade e aconchego para o local. Para crianças menores, temas como desenhos de animais podem se encaixar bem e deixar o local mais lúdico e alegre. Para os pisos, o vinílico é ótimo para esses quartos, pois tem conforto acústico e térmico e é relativamente fácil de limpar, algo que sempre deve ser levado em consideração no planejamento.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 

  • Uma forma inteligente de abrigar duas camas em um espaço pequeno
    Uma forma inteligente de abrigar duas camas em um espaço pequeno Foto: Fernanda Moura /Divulgacao
  • A cama evolutiva permite adaptações com o passar da idade da criança, com grades removíveis e altura adaptável
    A cama evolutiva permite adaptações com o passar da idade da criança, com grades removíveis e altura adaptável Foto: Linha Bloom/Divulgação
  • Este projeto conecta um beliche, uma mesa de estudos e um berço, em um quarto de 9m²: otimizando o espaço
    Este projeto conecta um beliche, uma mesa de estudos e um berço, em um quarto de 9m²: otimizando o espaço Foto: Giulia Igliori/Divulgacao.
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Neste quarto infantil, são utilizadas marcenaria e cores leves: fugindo do azul ou rosa
    Neste quarto infantil, são utilizadas marcenaria e cores leves: fugindo do azul ou rosa Foto: Matho Fotografia/Divulgacao
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