Crônica

Inovações a favor da paz

Maria Paula
postado em 20/03/2022 00:01
 (crédito: Caio Gomez)
(crédito: Caio Gomez)

O que existe de mais avançado em termos tecnológicos, no momento, relaciona-se à informação: blockchain trazendo a possibilidade inédita da descentralização do poder, inaugurando uma era em que a desigualdade social tende a diminuir; a inteligência artificial e a democratização radical de qualquer serviço são apenas alguns exemplos de como nossa sociedade está passando por transformações profundas. E os resultados de tantas e tão rápidas mudanças começam a se delinear no horizonte.

É hora de introduzir nas regras do jogo as questões multidimensionais da ética. Seja na dimensão particular, coletiva, mundial ou universal, as relações de causa e efeito precisam ser compreendidas.

Se estamos diante de nossa autodestruição ou se o que está acontecendo é uma reinvenção de nós mesmos é cedo para dizer, mas, com certeza, um diálogo amplo no sentido de trazer lucidez a essas questões pode elevar o nível do jogo.

Certamente, o avanço tecnológico contribui imensamente para a evolução da nossa sociedade, mas como podemos aproveitar o que se apresenta de melhor e mesmo o que representa um desafio, transformando tudo em oportunidade para o desenvolvimento de uma tecnologia da paz? Algo capaz de gerar redes de apoio que protejam aqueles em situações desesperadoras do perigo de cair nos buracos escuros da violência e da autodestruição?

Criar aplicativos que monitorem o fluxo de comportamentos gerados pelos distúrbios psíquicos de modo a favorecer o autoaprimoramento e o equilíbrio das emoções. Exatamente como já existem apps que otimizam a performance de atletas, podemos criar os que ajudem a melhorar a performance de seres humanos movidos pela serenidade, de modo a imprimir no ambiente em que estão atuando uma atmosfera pacificadora.

Algumas perguntas, porém, precisam ser feitas: em nome de que estamos abrindo mão de nossas relações íntimas e substituindo-as pela vida nas telas? Como podemos transpor as infinitas possibilidades de conexão dos mundos virtuais para os reais?

Uma das maiores ameaças da vida "on-line" é o isolamento. Quanto mais cedo o indivíduo entra numa vida virtual, mais difícil, geralmente, é para ele interagir "ao vivo".

Pesquisadores norte-americanos da Universidade de San Diego têm dados concretos de pesquisas que relacionam o aumento do número de casos de depressão, e até suicídio na adolescência, aos hábitos característicos da vida moderna, em que os jovens se relacionam com o mundo intensamente, porém intermediados por telas, comparando-se uns aos outros em situações delirantes, já que o uso de filtros e a própria construção da persona digital divulgam imagens idealizadas como se fossem reais.

O primeiro e mais óbvio perigo está relacionado à falta de preparo para enfrentar desafios da vida real, uma vez que, em se tratando de acesso a informações e domínio de cena no mundo virtual, eles são muito experientes. No entanto, nas relações interpessoais presenciais, não apresentam maturidade comportamental correspondente.

As pesquisas vêm levantando outros perigos que dizem respeito ao enorme tempo dedicado pelos jovens às atividades virtuais, com a publicação de gráficos que relacionam a depressão com a privação de sono — tão comuns nas vidas dos jovens que costumam "virar noites" pela necessidade de estar constantemente ligados às redes. O fato é que, mesmo com todos os malefícios do uso das telas, estamos cada vez mais na frente delas. Os números mostram isso e, com a nova tendência dos metaversos, tudo pode se agravar ainda mais. Ou seja, isso é mais um motivo para investirmos em apps de desenvolvimento pessoal, pois fora dos mundos virtuais haverá cada vez menos vida inteligente.

Os desafios se apresentam e preocupam, mas servem também para acender uma luz nos olhos das pessoas que estão dispostas a observar a situação de forma equilibrada e refletir sobre o seu papel neste complexo tabuleiro de jogo. É importante termos sempre em mente que precisamos promover o cultivo de hábitos que promovam a paz. Atitudes éticas e respeito às regras sociais são o primeiro passo.

Aproveito este espaço para fazer esta reflexão crucial sobre o momento histórico atual em que a ameaça da guerra extrapola as fronteiras da Ucrânia e a qualquer momento pode chegar até você.

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