Saúde & Bem-estar

Carboidratos na mira: o pão francês atrapalha ou ajuda a emagrecer?

Entenda como escolhas equilibradas influenciam energia, humor e saciedade

Presente diariamente na mesa de muitos brasileiros, o pão francês faz parte da cultura alimentar do país. Dados do Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sampapão) indicam que cerca de 41 milhões de pessoas consomem o alimento diariamente no Brasil. Além disso, a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) aponta que o consumo anual de pão francês no país chega a aproximadamente 2,3 milhões de toneladas. 

Apesar da popularidade, o alimento é frequentemente apontado como um dos principais “vilões” para quem busca emagrecer, principalmente em dietas que propõem a redução drástica de carboidratos. No entanto, excluir esse grupo alimentar sem orientação adequada pode trazer prejuízos à saúde física e emocional. Mais do que focar um alimento isolado, o equilíbrio alimentar e o contexto geral da dieta são determinantes para resultados sustentáveis.

“O pão francês pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, inclusive em processo de emagrecimento”, explica Luiza Cardoso, profissional da área de nutrição do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS. Sozinho, o alimento não interfere tanto no peso. “O ganho ou perda de peso está relacionado ao contexto geral da alimentação e do estilo de vida, e não a um único alimento isolado”, ressalta.

Luiza Cardoso ressalta que o carboidrato exerce função central no funcionamento do corpo, uma vez que é a principal fonte de energia do organismo. A nutricionista explica que esse macronutriente “é responsável por fornecer glicose, que é o combustível preferencial do cérebro, dos músculos e de diversas funções metabólicas essenciais”.

Perigos da retirada do carboidrato da alimentação

A restrição radical dos carboidratos pode gerar impactos importantes na saúde. “Quando a pessoa corta carboidrato de forma radical, pode haver queda de energia, dificuldade de concentração, irritabilidade, alterações de humor, constipação intestinal e até redução de desempenho físico”, destaca a profissional.

A nutricionista destaca que, no caso das mulheres, períodos prolongados de restrição alimentar podem interferir no ciclo menstrual. Além disso, ela ressalta que dietas muito rígidas costumam ser difíceis de manter ao longo do tempo, o que pode aumentar o risco de episódios de compulsão alimentar e de recuperação do peso anteriormente perdido.

Risco das dietas que “demonizam” carboidratos

Rotular alimentos como proibidos pode desencadear um ciclo prejudicial à relação com a comida, já que se coloca um peso emocional maior. “A restrição excessiva aumenta o desejo, gera sensação de privação e pode desencadear episódios de exagero”, afirma Luiza Cardoso.

Segundo a profissional, esse processo costuma seguir um padrão repetitivo. “Na prática, o ciclo costuma acontecer assim: a pessoa restringe, sente muita vontade, acaba consumindo em excesso, sente culpa e volta a restringir ainda mais”, explica. Esse processo favorece o chamado efeito sanfona, com perdas e recuperações frequentes de peso, enquanto “uma alimentação equilibrada e flexível é mais sustentável e protege a saúde mental”.

Sinais de que a dieta está restritiva demais

De acordo com Luiza Cardoso, quando a alimentação começa a provocar mais ansiedade do que bem-estar, é fundamental reavaliar a estratégia adotada. A profissional destaca alguns indícios que podem sinalizar que a alimentação deixou de ser saudável para se tornar excessivamente restritiva:

  1. Cansaço excessivo;
  2. Irritabilidade frequente;
  3. Dificuldade de concentração;
  4. Queda de cabelo;
  5. Alterações intestinais, principalmente constipação;
  6. Pensamentos obsessivos sobre comida;
  7. Medo intenso de determinados alimentos.
Combinações equilibradas ajudam na saciedade ao longo do dia (Imagem: New África | Shutterstock)

Como consumir carboidratos com mais equilíbrio

A nutricionista afirma que o carboidrato pode fazer parte da alimentação de maneira planejada, especialmente em momentos estratégicos, como no café da manhã ou antes do treino, quando o organismo necessita de mais energia. “A chave está na quantidade e nas combinações, já que, quando associado a proteínas e fibras, o carboidrato promove maior saciedade e melhor controle glicêmico”, afirma.

Algumas estratégias simples ajudam a tornar o consumo de carboidratos mais equilibrado no dia a dia:

  • Evitar consumir carboidrato isoladamente;
  • Associar sempre com proteína e/ou fibras;
  • Respeitar sinais de fome e saciedade;
  • Manter regularidade nas refeições.

Combinações com pão francês

No caso do pão francês, é possível fazer combinações mais equilibradas, aumentando a qualidade nutricional da refeição:

  1. Pão francês + ovo + chia;
  2. Pão francês + frango desfiado + salada;
  3. Pão francês + queijo + pasta de abacate;
  4. Pão + fonte de proteína + fruta com casca.

“Essas combinações reduzem picos glicêmicos e aumentam a saciedade, ajudando no controle do apetite ao longo do dia”, explica Luiza Cardoso.

Pressão estética e busca por soluções rápidas

No mês da mulher, a discussão sobre padrões estéticos ganha ainda mais relevância. “A pressão estética imposta às mulheres, reforçada por redes sociais e padrões irreais de corpo, contribui para uma relação mais rígida e culposa com a alimentação”, ressalta a nutricionista.

Ela observa que essa procura contínua por um corpo ideal acaba, muitas vezes, distanciando as mulheres de uma relação mais intuitiva e equilibrada com a alimentação, favorecendo um ciclo de restrições, culpa e insatisfação com o próprio corpo.

A profissional também alerta para os riscos de estratégias imediatistas. “A cobrança por resultados rápidos favorece a procura por estratégias imediatistas. Dietas muito restritivas e medicamentos utilizados sem acompanhamento adequado podem trazer riscos à saúde física e emocional”, enfatiza.

Para Luiza Cardoso, o emagrecimento saudável não deve ser baseado apenas na estética, mas na promoção de saúde e bem-estar. “Medicamentos, quando indicados, devem fazer parte de um plano individualizado, com acompanhamento profissional. A base sempre será uma alimentação equilibrada, sustentável e adaptada à rotina da pessoa”, finaliza.

Por Nayara Campos

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