Na Páscoa, entre ovos de chocolate e sobremesas caprichadas, o consumo de doces tende a ganhar ainda mais espaço na rotina alimentar da população brasileira. Mas, em meio às tentações típicas do período, um velho alerta volta a aparecer: o risco de cáries nos dentes.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a cárie dentária atinge cerca de 88% da população brasileira ao longo da vida. A doença é resultado da ação de bactérias que metabolizam restos de alimentos e liberam ácidos capazes de desmineralizar o esmalte dos dentes.
De acordo com o dentista e CEO da OdontoTop, Cristiano Demartini, olhar apenas para o açúcar como o responsável pela cárie é uma simplificação que pode atrapalhar o cuidado com os dentes a longo prazo. “Mais do que cortar o chocolate na Páscoa, é preciso entender o comportamento alimentar e a rotina de higiene. São esses os fatores que, na prática, determinam o risco”, afirma.
Abaixo, o dentista lista fatores que podem aumentar o risco de cáries. Confira!
1. Intervalo entre as refeições
O problema não é só o doce, mas o hábito de consumir pequenas porções várias vezes ao dia. Cristiano Demartini aponta que cada ingestão de açúcar reduz o pH da boca, criando um ambiente ácido que pode levar até 30 minutos para se normalizar. Quanto mais frequente o consumo, menor o tempo de recuperação do esmalte.
2. Qualidade da escovação (não só a frequência)
Escovar os dentes rapidamente ou sem técnica adequada não remove completamente a placa bacteriana. Regiões como a linha da gengiva e entre os dentes continuam acumulando resíduos, favorecendo a ação das bactérias mesmo em quem escova os dentes diariamente.
“A força na escovação também é um erro comum. Escovar com muita pressão pode desgastar o esmalte e irritar a gengiva, sem necessariamente melhorar a limpeza. O mais importante é a técnica, com movimentos suaves e atenção ao tempo, escovar sem pressa com atenção à higienização total”, conta Cristiano Demartini.
3. Textura dos alimentos consumidos
Alimentos pegajosos como caramelos, chocolates mais cremosos e biscoitos recheados tendem a aderir aos dentes por mais tempo, prolongando a exposição ao ácido. Isso aumenta o risco em comparação com alimentos que são eliminados mais rapidamente pela saliva.
4. Consumo combinado de açúcar e acidez
O dentista também aponta que refrigerantes, sucos industrializados e até alguns chocolates com recheios cítricos combinam açúcar e acidez, potencializando o desgaste do esmalte. Esse efeito duplo acelera o processo de desmineralização dentária.
5. Carboidratos fermentáveis também alimentam as bactérias
Nem só de açúcar vivem as cáries. Alimentos ricos em carboidratos fermentáveis, como pães, massas, bolos e biscoitos, também são facilmente metabolizados pelas bactérias presentes na boca, gerando ácidos que atacam o esmalte dentário. O especialista aponta que, em muitos casos, esses alimentos passam despercebidos por não terem sabor doce intenso, mas podem ser igualmente prejudiciais.
6. Saliva e hidratação
A saliva atua como uma proteção natural, ajudando a neutralizar ácidos e a limpar a superfície dos dentes. Baixa ingestão de água, estresse e uso de certos medicamentos podem reduzir essa produção, aumentando significativamente o risco de cáries.
Segundo Cristiano Demartini, a estratégia mais eficaz é organizar melhor a rotina para reduzir danos. “O ideal é consumir o chocolate após as refeições principais, quando há maior produção de saliva, e evitar beliscar ao longo do dia. E sempre se atentar para a higiene bucal rigorosa após as refeições, com fio dental e atenção às extremidades da boca”, conclui o CEO da OdontoTop.
Por Davi Goulart
