Saúde & Bem-estar

Redes sociais e algoritmos: veja como eles afetam a saúde mental

Ferramentas são projetadas para maximizar o tempo de tela, o que pode levar ao vício digital e ao isolamento social

Os algoritmos das redes sociais fazem parte de uma inteligência artificial que organiza o conteúdo dos feeds, priorizando as postagens com temas de maior interesse de cada usuário. Para isso, eles analisam dados como curtidas, comentários, compartilhamentos e tempo de tela.

Nesse sentido, é possível notar a importante influência que essa inteligência artificial desempenha no cotidiano dos usuários. Afinal, é ela que vai determinar o que continuará a ser apresentado para cada usuário na rede social e, consequentemente, debatido fora dela. Com isso, os algoritmos também são capazes de influenciar o humor e as interações cotidianas.

Mudanças no humor provocadas pelos algoritmos

Quando os algoritmos identificam os padrões de comportamento dos usuários, eles passam a privilegiar conteúdos emocionalmente intensos sobre os temas de interesse. Isso gera reações afetivas fortes, como felicidade, tristeza, raiva, euforia e irritabilidade. 

Estudos mostram que essa dinâmica pode favorecer ciclos de recompensa intermitente, algo semelhante observado em comportamentos compulsivos. Além disso, a personalização algorítmica pode reforçar padrões cognitivos pré-existentes, criando uma espécie de ambiente emocional sob medida. Isso pode amplificar tanto emoções positivas quanto vulnerabilidades, explica a Dra. Giovanna Braga Quinet, psiquiatra da Clínica Revitalis. 

Consequências para a saúde mental

As mudanças de humor e os ciclos de recompensa ocasionados pelas redes sociais em decorrência dos algoritmos, a curto e longo prazo, podem prejudicar a saúde mental. Em um primeiro momento, a Dra. Giovanna Braga Quinet esclarece que pode haver diminuição da autoestima, piora da qualidade do sono, aumento da ansiedade e insatisfação corporal. No longo prazo, os efeitos geralmente envolvem dependência comportamental e o agravamento de sintomas depressivos, sobretudo em pessoas emocionalmente vulneráveis. 

O efeito é bidirecional: pessoas com maior vulnerabilidade emocional tendem a usar mais as redes sociais, e o uso excessivo pode intensificar sintomas pré-existentes, acrescenta a psiquiatra.

As consequências dos algoritmos das redes sociais também se estendem para outras áreas da vida (Imagem: ideadesign | Shutterstock)

Demais efeitos dos algoritmos na rotina

Para além da saúde mental, as consequências dos algoritmos das redes sociais também se estendem para outras áreas da vida, como os relacionamentos, o trabalho e as dinâmicas em grupo. Isso acontece, sobretudo, porque há uma exposição constante a versões idealizadas de relações. 

Conforme a psiquiatra, no trabalho, pode haver redução da concentração e aumento da procrastinação. Nas dinâmicas sociais, é possível ocorrer comparações excessivas e percepções distorcidas da realidade alheia. Por fim, nos relacionamentos, o problema se concentra no ciúme digital, na vigilância online, nas expectativas irreais e nas inseguranças afetivas.

Como evitar os efeitos negativos dos algoritmos? 

As redes sociais fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Logo, é quase impossível descartar o uso delas. No entanto, para minimizar os seus impactos, Michele Silveira, psicóloga e logoterapeuta, sugere:

  • Estabelecer um limite de tempo diário para utilizar as redes sociais;
  • Filtrar conteúdos que tenham relevância na rotina, mas que não despertem gatilhos emocionais;
  • Silenciar perfis que geram desconfortos;
  • Fortalecer a conexão com a vida fora das telas.

Além disso, Ivan do Nascimento Cruz, psicólogo e professor de Psicologia do Centro Universitário FMU, recomenda utilizar as redes sociais de modo ativo. Isto é, em vez de apenas rolar o feed, optar pela produção de conteúdos e conversas diretas com outros usuários. 

Quando buscar ajuda

Caso os efeitos das redes sociais e algoritmos já tenham prejudicado a saúde mental e as interações rotineiras, o melhor é investir em um tratamento adequado, o que geralmente envolve uma abordagem terapêutica. 

A psicoterapia ajuda a reconstruir a autonomia emocional, reduzir a dependência de validação externa e resgatar o sentido da vida, lista Michele Silveira. Além disso, sessões terapêuticas também são importantes em casos de depressão e ansiedade, que podem ser causadas pelo uso excessivo das redes sociais.

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