O cuidado com a saúde bucal de cães e gatos é fundamental para preservar não apenas a integridade dos dentes, mas também o equilíbrio da saúde geral dos animais. A higiene oral adequada ajuda a prevenir o acúmulo de placa bacteriana e tártaro, reduzindo o risco de doenças como gengivite e periodontite, que podem causar dor, infecções e até a perda dentária.
Segundo Pedro Risolia, médico-veterinário da Petlove, a falta de escovação propicia o acúmulo de bactérias e restos de comida, formando o cálculo dentário, popularmente conhecido como tártaro. “Sabemos que cães que não recebem higienização dentária adequada ao longo da vida sofrem com o acúmulo de resíduos nos dentes, propiciando e desenvolvendo as chamadas placas ou cálculos bacterianos”, explica.
Perigos do tártaro para a saúde dos animais
O médico-veterinário destaca que a placa bacteriana pode evoluir para quadros de gengivite e, em casos extremos, provocar a conhecida doença periodontal, trazendo uma série de problemas e a destruição gradativa das estruturas dos dentes.
“Sem os cuidados necessários, o cachorro enfrentará grandes dificuldades para se alimentar. Além disso, devido à exposição do alvéolo e periodonto, a infecção pode adentrar na corrente sanguínea e comprometer todo o organismo, como rins (glomerulonefrite), fígado (hepatite), articulações (poliartrite), pulmões (pneumonia) e principalmente o coração (endocardite bacteriana)”, alerta Pedro Risolia.
Sinais de alerta
O tártaro em cachorros e gatos costuma apresentar sinais que começam de forma discreta e evoluem com o tempo. Entre os sintomas mais comuns, estão o mau hálito persistente (halitose), acúmulo visível de placa amarelada ou marrom nos dentes, gengivas avermelhadas ou inflamadas (gengivite) e sangramentos durante a alimentação ou ao mastigar objetos.
Além disso, o animal pode demonstrar dificuldade para comer, preferência por alimentos mais macios, salivação excessiva e até dor ao tocar a região da boca. Em estágios mais avançados, pode ocorrer retração da gengiva, mobilidade dentária e perda de dentes, comprometendo não apenas a saúde bucal, mas também o bem-estar geral do pet.
Prevenção do tártaro nos pets
Além do acompanhamento médico, a prevenção do tártaro passa por hábitos simples no dia a dia. O ideal é que a escovação dos dentes seja feita diariamente nos cães e, no mínimo, a cada três dias nos gatos. Para isso, deve-se utilizar apenas pastas e escovas específicas para pets, já que o flúor presente em produtos para humanos é tóxico para os animais.
O uso de brinquedos dentais, mordedores, petiscos específicos e soluções orais são estratégias diárias recomendadas para minimizar o acúmulo das bactérias, agindo como aliados da escovação, além de promoverem o enriquecimento ambiental.
Limpeza para remoção do tártaro
O veterinário explica que a cultura preventiva é facilitada pelas avaliações odontológicas periódicas. Contudo, quando o tártaro já está presente, o tratamento exige a profilaxia dentária (limpeza do tártaro) feita em clínica com auxílio de extratores e ultrassom odontológico, sob sedação e anestesia inalatória. “É um procedimento considerado bastante comum e seguro […]”, diz Pedro Risolia.
De acordo com o PetCenso Saúde, levantamento com mais de 1 milhão de pets, considerando dados do ecossistema, como o plano de saúde, a limpeza de tártaro está entre os quatro principais procedimentos realizados em cães e gatos.
Por Gustavo Mattos
