Com o avanço da tecnologia, os golpes digitais têm se tornado cada vez mais sofisticados e representam uma ameaça crescente, especialmente para os idosos. Criminosos utilizam aplicativos de mensagens, ligações falsas, perfis clonados e até ferramentas de inteligência artificial para criar abordagens mais convincentes e enganar as vítimas. Em muitos casos, eles exploram a confiança, a falta de familiaridade com recursos digitais e a vulnerabilidade desse público, o que pode resultar em perdas financeiras significativas.
Um levantamento inédito da Fundação Seade revelou que 82% das pessoas com 60 anos ou mais no estado de São Paulo já sofreram tentativas de golpes virtuais por meio de mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas. Embora o percentual seja inferior ao observado entre adultos de 30 a 59 anos, faixa em que os índices superam 90%, o dado mostra que os idosos também estão amplamente expostos aos riscos do ambiente digital, um cenário observado em todo o país.
Para o advogado Mário Henrique Martins, do Martins Cardozo Advogados Associados e especialista em Direitos Difusos e Coletivos, a combinação entre a rápida digitalização dos serviços e a evolução das técnicas utilizadas pelos fraudadores criou um ambiente especialmente desafiador para a população idosa.
“Os criminosos estão utilizando recursos cada vez mais sofisticados para enganar as vítimas, explorando sentimentos como confiança, medo e urgência. Em muitos casos, o prejuízo vai além da questão financeira e afeta diretamente a autonomia, a segurança e a qualidade de vida do idoso. A informação e a educação continuam sendo as principais ferramentas de prevenção“, afirma.
Diante desse cenário, o especialista lista os 5 golpes digitais mais comuns aplicados contra idosos em 2026 e as principais formas de proteção.
1. Golpe da falsa central bancária
Os criminosos costumam criar uma sensação de urgência para impedir que a vítima reflita antes de agir. Quando alguém pede senhas, códigos de autenticação ou transferências sob o argumento de proteger uma conta bancária, o primeiro passo deve ser interromper o contato e buscar confirmação diretamente com a instituição financeira. Nenhum banco solicita esse tipo de procedimento por telefone.
2. Clonagem de voz por inteligência artificial
A inteligência artificial tornou os golpes mais sofisticados porque permite reproduzir vozes com um grau de realismo cada vez maior. Hoje, ouvir a voz de um familiar não é mais uma garantia de autenticidade. Sempre que houver um pedido de dinheiro fora do habitual, a orientação é confirmar a situação por outros canais antes de qualquer transferência.
3. Falso pedido de atualização cadastral
Muitas fraudes começam com uma mensagem aparentemente simples informando a necessidade de atualizar dados ou regularizar um cadastro. O objetivo é obter informações pessoais e bancárias da vítima. Por isso, é fundamental evitar clicar em links recebidos por mensagens e acessar apenas canais oficiais das empresas ou instituições envolvidas.
4. Golpe do falso benefício ou restituição
Promessas de valores a receber costumam despertar interesse imediato, especialmente quando envolvem aposentadorias, benefícios sociais ou restituições. O consumidor precisa ter em mente que órgãos públicos não exigem pagamentos antecipados para liberar recursos. Sempre que houver cobrança antecipada para liberar um suposto benefício, existe um forte indicativo de fraude.
5. Golpe do WhatsApp clonado
Grande parte dos casos poderia ser evitada com medidas básicas de segurança digital. A autenticação em duas etapas cria uma camada adicional de proteção e dificulta significativamente a ação dos criminosos. Além disso, pedidos urgentes de dinheiro enviados por aplicativos de mensagens devem ser confirmados diretamente com a pessoa antes de qualquer decisão.
Informação é a principal ferramenta de proteção
Segundo Mário Henrique Martins, o enfrentamento à violência digital contra idosos exige uma combinação entre educação digital, apoio familiar e conscientização jurídica. “Muitos idosos foram educados em uma cultura baseada na confiança e acabam se tornando alvos preferenciais de criminosos que exploram justamente essa característica. Conversar sobre golpes, compartilhar informações e estimular a checagem de dados antes de qualquer decisão financeira são atitudes simples que podem evitar prejuízos significativos”, destaca.
O advogado reforça que conhecer os próprios direitos também é uma forma de proteção. “Em muitos casos, a vítima acredita que não há o que fazer após o golpe. No entanto, dependendo das circunstâncias, é possível buscar responsabilização dos envolvidos e reparação dos danos. A informação continua sendo a melhor defesa contra qualquer fraude”, conclui.
Por Samuel Alexandre
