Sustentabilidade

Novo revestimento para a construção civil

Correio Braziliense
postado em 25/07/2021 22:12
 (crédito: Universidade Aaron/Divulgação)
(crédito: Universidade Aaron/Divulgação)

Com os esforços globais para atender aos padrões de sustentabilidade, muitos países estão procurando substituir o concreto por madeira em edifícios. Como esse é um material sujeito à degradação quando exposto à luz solar e à umidade, os revestimentos protetores podem ajudar a ampliar seu potencial de aplicação. Pesquisadores da Universidade Aalto, na Finlândia, usaram lignina, um polímero natural abundante em fontes vegetais, para criar um revestimento que, segundo eles, é seguro, de baixo custo e tem alto desempenho para uso em construção civil.

“Nosso novo revestimento tem grande potencial para proteger a madeira. É mais repelente à água do que muitos revestimentos comerciais, pois mantém a estrutura natural da madeira e sua aspereza na microescala”, explica Alexander Henn, doutorando na Universidade de Aalto. “Por ser hidrofóbico, o revestimento também é bastante resistente a manchas, enquanto a estrutura inerente da lignina resiste às mudanças de cor sob a luz do Sol. Ele também faz um excelente trabalho de retenção da respirabilidade da madeira.”

A lignina é frequentemente considerada um produto residual dos processos de polpação e biorrefinaria. A cada ano, cerca de 60 milhões a 120 milhões de toneladas do produto são isoladas em todo o mundo, das quais 98% são incineradas. O material tem várias propriedades benéficas. No entanto, a baixa solubilidade da maioria dos tipos de lignina e o desempenho medíocre dos produtos à base dela limitaram, até agora, suas aplicações comerciais.

“A lignina como um material de revestimento é realmente muito promissora, com seus muitos benefícios, em comparação com os revestimentos sintéticos e de base biológica usados atualmente. Ela tem excelentes propriedades anticorrosão, antibacteriana, anticongelante e de proteção UV. Nossa pesquisa futura se concentrará no desenvolvimento de características como a elasticidade do revestimento”, diz Monika Österberg, chefe do Departamento de Bioprodutos e Biossistemas da universidade.

Petróleo

Atualmente, os revestimentos mecânicos de proteção amplamente usados para materiais como madeira, concreto, metais e compostos são à base de petróleo, que incluem substâncias prejudiciais ao meio ambiente. Os revestimentos de óleo vegetal — como os feitos de talha, linhaça, coco, soja e mamona — podem ser alternativas mais sustentáveis, mas, geralmente, carecem de durabilidade. Como resultado, esses óleos são frequentemente combinados com materiais sintéticos para melhorar seu desempenho.

Alternativas mais sustentáveis e não tóxicas podem ajudar a indústria de revestimentos a atender às novas regulamentações de segurança, sustentam os pesquisadores finlandeses. Por exemplo, a quantidade de compostos orgânicos voláteis (VOCs) foi regulamentada não apenas devido ao seu impacto na saúde, mas também na camada de ozônio.

Da mesma forma, a União Europeia (UE) impôs restrições a alguns produtos químicos usados pela indústria de revestimentos, como o bisfenol A e o formaldeído (usados em revestimentos de epóxi e poliuretano). Recentemente, a UE classificou o dióxido de titânio — um dos pigmentos mais amplamente usados em tintas — como um cancerígeno de classe II.


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