Duas perguntas para

Marco Barreto, professor e pesquisador da unidade Embrapii Poli USP Powertrain

Quais foram os principais avanços tecnológicos nas baterias fabricadas após 2019 que melhoraram sua durabilidade?

Tivemos avanços na composição química, com a adição de novos aditivos, no eletrólito e no próprio ânodo, mas nós tivemos também avanços adjacentes. Nós tivemos, por exemplo, uma melhoria no gerenciamento através do BMS (Battery Management System), de como essa bateria vai se comportar no uso do carro, diminuindo, por consequência, como ela vai esquentar ou não durante seu funcionamento. Também tivemos uma evolução no gerenciamento térmico dessa bateria, no sistema de troca térmica de arrefecimento ou resfriamento, onde você consegue hoje trabalhar em condições melhores da temperatura. Com isso, mesmo que eu tenha oscilações de temperaturas externas, eu consigo fazer com que a minha bateria comece a trabalhar na sua melhor temperatura de trabalho, dentro daquela faixa ideal que eu comentei na resposta anterior.

Os resultados obtidos com modelos como o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3 podem ser aplicados a outros veículos elétricos?

Sim. Falando um pouco do artigo, que cita o modelo ID.3 como uma referência para essa parte de bateria em termos de propulsão elétrica, de autonomia, eficiência, vida útil dos componentes, ele destaca que esse sistema tem um bom design do pack da bateria, que é todo aquele invólucro que vai estar a bateria interna, e um ótimo gerenciamento térmico. Então, o gerenciamento térmico interno desta bateria vai ajudar nessa longevidade. Mesmo com o aumento da temperatura externa, se eu tiver um bom sistema de troca térmica, de arrefecimento ou mesmo de resfriamento, eu consigo ter bons resultados.

O artigo cita bastante o desenho do pack da bateria do ID3, como estão dispostas as partes internas, os materiais que foram utilizados, e também a gestão térmica. No Tesla Model 3, ele cita a mudança química que eles utilizaram na célula e também as técnicas de gerenciamento, não só de carga e descarga e recarga, mas também técnicas de gerenciamento térmico, obtendo um bom resultado. Então, eles ficaram menos sensíveis justamente por essa evolução de gerenciamento térmico, de gerenciamento do funcionamento da bateria pelo BMS e aditivos na formulação também da bateria, diminuindo a sensibilidade externa à temperatura para o envelhecimento da bateria.

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