Duas perguntas para

Carmem Gilardoni, pesquisadora do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) apoiada pelo IDOR Ciência Pioneira

Quando essa tecnologia poderá ser usada por pacientes fora dos laboratórios? 

Ainda é cedo para dizer exatamente quando isso acontecerá. Neste estudo, os pesquisadores demonstraram que os eletrodos funcionam muito bem em testes realizados com voluntários, apresentando desempenho semelhante aos sensores comerciais e, em algumas situações, até mais estável durante movimentos e atividades do dia a dia.  Os autores também já depositaram um pedido de patente, indicando que existe interesse em transformar essa pesquisa em uma tecnologia comercial. No entanto, antes que isso aconteça, ainda serão necessários estudos com um número muito maior de participantes para comprovar a segurança, a durabilidade e a confiabilidade do material em diferentes tipos de pacientes e condições de uso. Além disso, como acontece com qualquer dispositivo médico, será preciso obter aprovação dos órgãos reguladores antes que a tecnologia possa chegar aos hospitais e clínicas. Todo esse processo normalmente leva alguns anos.

Quais são os principais desafios para transformar essa pesquisa em um produto comercial?

Embora os resultados sejam bastante promissores, ainda há um caminho importante até que essa tecnologia possa ser utilizada rotineiramente em hospitais ou pelos próprios pacientes. O primeiro desafio é demonstrar que a tinta funciona de forma confiável em um número muito maior de pessoas e em diferentes situações do dia a dia. Os testes apresentados neste estudo envolveram poucos participantes, e será necessário confirmar que o desempenho continua bom em pacientes de diferentes idades, tipos de pele e condições clínicas. Outro desafio é a fabricação. A composição química da tinta precisa ser produzida em larga escala mantendo sempre a mesma qualidade e as mesmas propriedades elétricas e mecânicas. Também será necessário demonstrar que os eletrodos permanecem seguros durante usos repetidos e prolongados, além de desenvolver um processo simples para aplicação na rotina clínica.

Como qualquer dispositivo médico, a tecnologia precisará passar pela avaliação dos órgãos reguladores antes de ser comercializada, um processo que normalmente leva vários anos. Por fim, a tinta precisará ser integrada aos equipamentos já utilizados para monitoramento médico, como eletrocardiógrafos e eletroencefalógrafos. Isso exige o desenvolvimento de processos de aplicação simples, reprodutíveis e compatíveis com a rotina clínica. Se esses desafios forem superados, essa tecnologia tem potencial para tornar o monitoramento de sinais elétricos do corpo mais confortável, mais preciso e menos restritivo para os pacientes. (RL)



 

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