Cultura

O Brasil cultural em 2026, com permanência e movimento

Com fomento, tradição e sustentabilidade, a cultura brasileira segue pulsando nos territórios, sustentada por comunidades, memória e criatividade, mesmo quando o reconhecimento insiste em tardar!

O Brasil cultural em 2026, com permanência e movimento (Cia. de Danças Folclóricas Aruanda - (Foto: Tamboril/ Paula Amaral))

Vencemos a primeira quinzena de janeiro e fico aqui, refletindo inquieto e pensando em fazer uma analogia do cenário cultural para o Brasil em 2026. Sim, tarefa dificílima, mas imaginei que um bom ponto de partida, seria considerar o mercado cultural em geral, as possibilidades de financiamentos de projetos e iniciativas em várias manifestações, por meio dos mecanismos de fomento e isenção fiscal, além da diversidade cultural do setor encontrada, especialmente nas cidades do interior do país, onde a produção cultural fervilha, mas nem sempre encontra amparo para sua permanência ou manutenção das entidades representativas do setor.

Neste contexto, ousei iniciar um alinhamento sobre a importância do papel voluntário das comunidades, o ímpeto pela preservação das raízes e da memória cultural dos lugares, e a necessidade de que sejam respeitadas as vocações locais, a diversidade, a regionalidade, a religiosidade e o próprio calendário festivo de cada localidade, que é único e merece o destaque.

Lendo um conteúdo aqui e ali, resolvi salientar as possibilidades geradas pelo pensamento sustentável, com a geração de produtos mais criativos, mais abrangentes e coletivos e que abasteçam o cenário produtivo da economia circular e aí ficou mais clara a compreensão de que pensar o cenário cultural brasileiro em 2026 é, antes de tudo, reconhecer que seguimos sendo um país em permanente estado de criação.

Mercado cultural brasileiro

Em meio às incertezas econômicas, às transformações tecnológicas e às mudanças nos modos de consumo simbólico, a cultura continua sendo um dos territórios mais resilientes da vida social brasileira. Não por acaso. A cultura no Brasil não nasce de políticas públicas apenas, mas de uma compulsão coletiva que atravessa gerações, territórios e identidades.

Essa riqueza toda, brota nos quintais, nas praças, nos terreiros, nas igrejas, nas cozinhas comunitárias, nos coretos e nas ruas onde a memória do povo brasileiro insiste em se manifestar, mesmo quando os recursos são escassos e o reconhecimento institucional demora a chegar, o que é uma pena, mas infelizmente, a gestão e o olhar para a importância da cultura nas cidades, de forma geral, andam bem empobrecida.

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O mercado cultural brasileiro, especialmente a partir da segunda metade da década de 2020, passa a conviver com um paradoxo evidente. Por um lado, há uma ampliação significativa das possibilidades de financiamento por meio de mecanismos de fomento, fundos setoriais, leis de incentivo e instrumentos de renúncia fiscal, que permitem a estruturação de projetos mais robustos, com maior capacidade de alcance e profissionalização.

De outro lado, persiste uma dificuldade estrutural de acesso a esses mecanismos por parte de produtores, coletivos e entidades culturais localizadas fora dos grandes centros urbanos e que infelizmente preferem receber as coisas mais prontas, com muita resistência em se aprimorar neste caminho.

Como é o Brasil cultural real

O Brasil cultural que ferve nas cidades do interior, nas comunidades tradicionais, nos distritos históricos e nas periferias ainda enfrenta barreiras técnicas, burocráticas e informacionais que limitam sua permanência e sustentabilidade. Lamento profundamente cada vez, que meus olhos constatam essa realidade em minhas andanças.

É justamente nesse Brasil menos visível, mas profundamente ativo, que a produção cultural se revela mais efervescente. São festas religiosas, celebrações populares, grupos de congado, folias, bandas civis, festivais gastronômicos, manifestações artesanais, expressões cênicas e musicais, que seguem existindo porque fazem sentido para quem vive o território, mas sabe Deus a que custo.

Muitas vezes, essas iniciativas não sobrevivem por conta de editais ou patrocínios, mas pela força do voluntariado, pela mobilização comunitária e pelo sentimento de pertencimento que sustenta o fazer cultural como um ato de resistência cotidiana, o que é muito bonito e simbólico, mas absurdamente injusto, considerando um país tão rico e diverso.

São comunidades inteiras que se organizam para manter viva uma tradição, mesmo quando o poder público insiste em ser ausente ou quando as entidades representativas do setor não conseguem se estruturar de forma perene, situação, que também já passou da hora de se atualizar.

Em 2026, não dá para dormir no ponto, torna-se cada vez mais evidente que não há política cultural eficaz sem o reconhecimento das vocações locais, cada território possui um calendário festivo próprio, uma relação singular com a religiosidade, uma memória coletiva que se manifesta em datas, rituais e narrativas específicas.

Respeitar essa diversidade não é apenas uma questão de identidade, mas de estratégia. Projetos culturais que dialogam com o tempo do lugar, com suas referências simbólicas e com suas dinâmicas sociais tendem a gerar impactos mais duradouros, fortalecer redes locais e ampliar a circulação econômica de forma orgânica.

A cultura, quando enraizada, movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços e saberes tradicionais, criando um ciclo virtuoso que vai além do evento em si. Quantas vezes já falei sobre isso nessa coluna semanal, mas repetirei quantas vezes for necessário.

Nesse contexto, o pensamento sustentável deixa de ser um discurso acessório e passa a ocupar o centro das estratégias culturais. Sustentabilidade aqui não se limita à dimensão ambiental, mas se estende à lógica da economia circular, da cooperação e do uso inteligente dos recursos disponíveis. É preciso pôr a cabeça para pensar, isso não custa nada! Produtos culturais mais criativos, coletivos e conectados com o território surgem como resposta a esse novo tempo.

Reaproveitamento de materiais, valorização da mão de obra local, circulação de saberes, formação de redes colaborativas e integração entre cultura, turismo e economia e redes criativas passam a ser práticas recorrentes em iniciativas bem-sucedidas pelo país.

Claro que sei, que muitas coisas boas já existem e há, inclusive, exemplos concretos de territórios que compreenderam essa lógica e conseguiram transformar suas manifestações culturais em ativos estratégicos de desenvolvimento.

Sei de cidades que organizaram seus calendários festivos de forma integrada, que qualificaram seus agentes culturais, que fortaleceram associações e coletivos e que estabeleceram pontes entre tradição e inovação passaram a atrair novos públicos, investimentos e reconhecimento.

Não se trata de espetacularizar a cultura, mas de dar a ela condições dignas de existência, circulação e permanência! Não é tão complicado!

O Brasil cultural de 2026 exige um olhar mais atento, sensível e estratégico. Exige que o mercado compreenda a cultura não apenas como produto, mas como processo. Exige, que os mecanismos de fomento avancem no sentido da inclusão territorial e da simplificação do acesso.

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Que o poder público reconheça o valor do que já existe antes de tentar criar agendas desconectadas da realidade local e, sobretudo, que as próprias comunidades sigam acreditando na força de suas expressões, na preservação de suas raízes e na importância de sua memória e continuem unidas dando sobrevida a tantas manifestações.

A cultura brasileira sempre sobreviveu aos ciclos econômicos, às crises políticas e às mudanças sociais porque ela é, em essência, coletiva, são pessoas que estão ali garantindo esta permanência.

Em 2026, talvez mais do que nunca, a cultura nos lembre que existir já é, por si só, um ato de resistência e que cada festa, cada canto, cada gesto simbólico carrega um valor imensurável simplesmente por continuar acontecendo.

É isso minha gente! Nada de relaxar, sejamos todos soldados ativos na luta pela preservação da cultura brasileira, para que tenhamos um 2026 culturalmente rico, próspero em geração de divisas, de frentes de trabalho, de vivências e experiências coloridas, musicais, cênicas e populares como o Brasil sempre soube produzir.

Por hoje é isso, fica minha reflexão para vocês.

Até a próxima.

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