Olhar turístico

Verão, turismo e responsabilidade: lições que ficam após a alta temporada

A alta temporada expõe gargalos de gestão, segurança e capacidade de carga em destinos como Porto de Galinhas, Cabo Frio e Sergipe. Por isso, planejamento, fiscalização e informação ao visitante viram prioridade para um turismo sustentável

Verão, turismo e responsabilidade: lições que ficam após a alta temporada (Após a alta temporada é hora de refletir e propor soluções para questões como a agressão a um casal em Porto de Galinhas/ PE, no final de 2025 (Foto: reprodução Redes Sociais))

Janeiro ficou para trás e com ele, as praias lotadas também. O início do ano mais uma vez nos deixa aprendizados importantes.Turismo e responsabilidade devem ser tratados como prioridade, tanto pelos visitantes quanto pelos gestores públicos e privados para que a atividade seja exercida de forma consciente e compatível com as realidades locais.

Neste verão, vimos diversos casos que ganharam destaque na mídia — como em Porto de Galinhas e Cabo Frio — onde a pressão do turismo em alta temporada expôs problemas antigos que ainda carecem de soluções estruturadas. Enquanto governos estaduais e prefeituras começam a buscar respostas, fica claro que ainda há um longo caminho para que destinos populares consigam conciliar fluxo intenso de visitantes com organização, segurança e preservação.

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Recordo de uma experiência em Arraial do Cabo em 2016, quando após uma trilha para a Praia do Forno, fui surpreendida com uma cobrança de R$ 200,00 por aluguel de barraca e cadeira — sem qualquer conversão em consumo — para duas pessoas, o que me levou a desistir e buscar outra praia. Situações como essa ilustram a urgência de normas claras que protejam o turista e o destino.

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Mas os desafios não são exclusivos dos destinos já saturados. Aracaju e Sergipe como um todo, vêm crescendo como destino turístico, atraindo cada vez mais visitantes nacionais e internacionais. Em 2024, o estado recebeu mais de 1,5 milhão de turistas, sendo cerca de 17 mil estrangeiros, um crescimento de 8,4% no setor que colocou Sergipe entre os estados com maior expansão no Brasil. Esse movimento positivo se reflete também nos números de viagens com destino ao estado, que cresceram 12,2% em relação ao ano anterior, posicionando Sergipe como o 4º estado com maior crescimento no Nordeste em fluxo turístico.

Contudo, essa visibilidade crescente não pode mascarar problemas pontuais que afetam a experiência do visitante. Um exemplo que ilustra essa realidade é a Croa do Goré, atrativo natural que tem despertado grande interesse de turistas, mas cuja exploração ainda demanda maior regulamentação e fiscalização. A ausência de regras claras para operação turística, aliada à falta de definição da capacidade máxima de visitantes, pode comprometer a experiência do público.

Atualmente, muitos visitantes contratam passeios de lancha sem receber informações adequadas sobre segurança, funcionamento do atrativo ou responsabilidades dos prestadores de serviço. Situações como manobras imprudentes de embarcações, além de colocarem em risco crianças, idosos e outros usuários, evidenciam a necessidade de gestão mais estruturada do turismo nesses espaços. Esses episódios podem parecer isolados, mas revelam a falta de preparo e estrutura em locais que estão em processo de consolidação turística. O turismo em Sergipe ainda não enfrenta superlotação comparável a destinos tradicionais, mas já exige um olhar atento para que a sua expansão se de forma sustentável.

Para que o turismo cumpra seu papel como vetor de desenvolvimento econômico e social, é fundamental que as atividades turísticas sejam devidamente regulamentadas e fiscalizadas, garantindo organização e respeito aos limites dos destinos. Da mesma forma, torna-se indispensável a definição de capacidade de carga e o cumprimento rigoroso das normas de segurança, assegurando experiências seguras tanto para visitantes quanto para a população local.

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Esse processo deve ser acompanhado pela capacitação contínua dos profissionais e operadores de turismo, elevando a qualidade dos serviços prestados. Além disso, é imprescindível que os destinos ofereçam informações claras, acessíveis e canais efetivos de apoio ao visitante, fortalecendo a confiança e a transparência na relação com o turista. Por fim, o turismo precisa ser planejado e tratado como uma política pública de longo prazo, integrada às demais estratégias de desenvolvimento territorial e sustentável.

Somente com seriedade, organização e compromisso com a experiência do turista e a preservação dos destinos poderemos garantir que cada visitante saia satisfeito e recomende — de fato — o destino para outros viajantes.

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