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Turismo do Sono remodela a hotelaria de luxo

Tendência faz hotéis de alto padrão trocarem festas por quartos à prova de ruído, colchões inteligentes e protocolos clínicos para executivos.

Turismo do Sono remodela a hotelaria de luxo (Dormir deixou de ser apenas uma pausa biológica para se tornar um dos investimentos mais estratégicos do mercado de viagens de alto padrão. (Foto: Divulgação))

Em um mundo que glorifica a pressa, o acúmulo de tarefas e a hiperestimulação, o verdadeiro luxo é conseguir se desligar completamente. O Turismo do Sono e de Bem-Estar estão remodelando a hotelaria de alto padrão. O quarto de hotel agora é um santuário para conseguir uma boa noite de sono e o cardápio de drinks diferentes já não é mais o primeiro desejo dos hóspedes, dando lugar a tratamentos holísticos que permitem o viajante se conectar com o momento.

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Viajar virou sinônimo de voltar para casa melhor do que saiu, não mais cansado, como era o costume. O descanso virou um souvenir exclusivo, invisível nas fotos, mas totalmente mensurável no corpo e no desempenho diário.  O turismo do sono virou sinônimo de qualidade de vida. Dormir com silêncio, conforto e suporte clínico adequado hoje é um privilégio raro, afirma Estela Assis, fundadora da Viaje com Estela.

O cansaço crônico já é tratado por muitos especialistas como a epidemia invisível da alta performance. Telas, fusos horários, reuniões sem fim e a urgência do agora fragmentam o sono e corroem a vitalidade. Até mesmo as férias, quando mal planejadas, deixam de cumprir o papel de restaurar. Muitos dos novos programas de Turismo do Sono e de Bem-Estar nascem justamente para responder a esse esgotamento silencioso.

Muitos empreendimentos já estão se reposicionando na hotelaria de luxo como centros de regeneração física e cognitiva. Em vez de apenas oferecer cama e travesseiro, passaram a contar com sleep concierges que ajustam luz, temperatura, umidade e ruído de acordo com o perfil de cada hóspede; quartos com isolamento acústico avançado; controle de exposição à luz azul; menus de travesseiros; rotinas de relaxamento e meditação guiada; e até colchões inteligentes com tecnologia embarcada para monitorar sono e batimentos e ajustar o conforto durante a noite. Em paralelo, a nutrição deixa de ser apenas gastronomia de hotel e passa a incluir menus funcionais com foco em qualidade do sono e longevidade.

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Relatórios de mercado mostram que essa não é apenas uma tendência de comportamento, mas um setor em franca expansão. O mercado global de turismo do sono foi estimado em 74,54 bilhões de dólares em 2024 e deve alcançar 148,98 bilhões de dólares até 2030, com taxa de crescimento anual de 12,4% entre 2025 e 2030, segundo a consultoria Grand View Research. Deixou de ser curiosidade para se tornar uma frente séria de negócios dentro do wellness travel e da hotelaria de luxo, contextualiza Estela Assis.

A ciência reforça o que esses projetos vêm colocando em prática: noites mal dormidas estão associadas ao envelhecimento precoce, à queda da imunidade, à piora da memória e da concentração, além de maior risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Em outras palavras, quando se fala em um roteiro focado em descanso profundo, falase de gestão de saúde. O impacto aparece na textura da pele, no vigor do metabolismo e na lucidez das decisões diárias, algo especialmente valorizado por executivos e profissionais de alta performance, destaca Estela Assis.

A busca por esse tipo de descanso faz com que os viajantes olhem para endereços que unam hospitalidade de alto padrão, ciência do sono e medicina preventiva. Na Suíça, a Clinique La Prairie combina medicina de precisão, protocolos de antienvelhecimento e programas de regeneração celular que se tornaram referência mundial em longevidade. Já os retiros da rede Six Senses oferecem programas específicos para o sono, com monitoramento individual, consultorias personalizadas, yoga nidra, meditação e ambientes desenhados para induzir o descanso profundo. No Brasil, o Kurotel, em Gramado, é apontado como um dos principais nomes em spa médico e saúde integrativa, unindo avaliação clínica, programas de longevidade, foco em sono, equilíbrio hormonal e bemestar em uma mesma experiência, afirma Estela.

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O crescimento do Turismo do Sono mostra que algo mudou na cabeça desse perfil de viajante. Não basta mais voltar com a câmera cheia e o corpo esgotado. O luxo contemporâneo é discreto e profundamente pessoal. Não é sobre provar para o mundo para onde você foi, e sim sentir no corpo a diferença depois da viagem, analisa Estela Assis. Viajar deixa de ser acumular registros em redes sociais para se tornar uma forma de preservar tempo, energia e saúde. Para muitos viajantes, dormir bem deixou de ser detalhe do roteiro e virou o motivo central da viagem. Em um mundo exaustivo, talvez o gesto mais sofisticado seja simplesmente fechar os olhos, dormir profundamente e acordar uma versão melhor de si mesmo, finaliza Estela.

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